sábado, 28 de fevereiro de 2009

Dekasseguis



Os sonhos são o direito humano fundamental, maior que a própria liberdade. As loterias dos especuladores atingem os sonhos individuais e coletivos. E nesses tempos, os migrantes econômicos são os primeiros danificados.
Ninguém pode ser julgado por escolher outra terra para materializar seus sonhos. Porque por tras desse desejo de prosperidade, há sonhos.
No Japão existe uma comunidade de 322.000 brasileiros, os chamados dekasseguis (trabalhadores temporários). Apesar de serem pessoas maiormente qualificadas, a impossibilidade de validar os títulos e a pouca fluência na língua empurra os dekasseguis a fazerem trabalhos duros, geralmente em fábricas de componentes eletrônicos e montadoras de autopeças. E com a tal crise, eles são os primeiros demitidos, os excluídos.
Os que voltam para o Brasil, carregam as conseqüências emocionais de não ter escolhido voltar. Os que ficam, agüentam, do jeito que podem. As vezes sem trabalho e moradia viram fantasmas na rua.
A crise é isso. A destruição por uns poucos dos sonhos de muitos.

Foto de Ricardo Yamamoto , um fotógrafo dekassegui

6 comentários:

Roberta Mattoso disse...

Ótimo post!! Realmente deve ser muito difícil trabalhar fora do seu país, ainda mais para passar pelas dificuldades encontradas pelos dekasseguis...
Bjokas pra vc!!!

Ana Lúcia disse...

É. É difícil sim. E com a crise, somos os primeiros a ser preteridos. Em Portugal também não está fácil, o que nunca foi.

Ana Lúcia disse...

Aqueles que, em Portugal, talvez se aproximem dessas condições dos dekasseguis são os imigrantes do leste: em geral muito qualificados - engenheiros, médicos, técnicos de alto nível - acabam por trabalhar nas obras. Talvez por isso tenha diminuído esse tipo de imigração pra cá, e muitos voltaram pro país de origem. Mesmo os brasileiros já não têm vindo tanto.

m disse...

Voçê conhece bem o que diz. Bjs

Juan Trasmonte disse...

Pois é, como diz m, eu já sei o que é...

Ana, ainda estou me devendo escrever sobre o Terra estrangeira.

Anônimo disse...

só esse texto respondeu questões de um trabalho que a professora passou...VLW!