segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Debaixo do meu cêrebro



Debaixo do meu cêrebro está
a Biblioteca Nacional
a Rio Branco com seu cheiro de óleo queimado
e seus recantos de esplendor
de antiga capital
berlindas e guirlandas
e azuis de lampadinhas
para a Portela passar.
Debaixo do meu cêrebro está
o armazém do esquecimento
não quero sal na manteiga
e pode dispensar o limão
no meu sanduíche de carne assada
o verbo não está à venda
o amor tem ponto final.
Debaixo de meu cêrebro os caídos
os sonhos que não voltam mais
os presos na garganta do diabo
e goteiras químicas no sertão do cansaço
ruelas ribanceiras de sangue no mormaço
e códigos de acesso denegados.
Debaixo do meu cêrebro a língua
onde o mundo finda e o mundo começa.

Debaixo do meu cêrebro, de Juan Trasmonte (Creative Commons)
Foto "Step by Step", de
Andreea Chiru

6 comentários:

Janaina Amado disse...

Juan, que poema excelente!!! Li o poema com emoção e encantamento. Ao ver que era seu, fiquei (estou) aqui embasbacada com o grande poeta que você é, puxa vida! Parabéns! Você tem mais poemas? Publicou-os? Publicou livros? (Desculpe, te conheço ainda há pouco tempo). Puxa vida, vou voltar agora àquela Rio Branco da Biblioteca Nacional e carnavais passados e ...

joamot30 disse...

aceita parceria de link tenho 800 visitas por dia

Juan Trasmonte disse...

Ah, Jana, você é muito generosa. Poesia até agora só em publicações coletivas e em espanhol.
Eu escrevia nas duas línguas mas há uns oito anos que escrevo quase somente em português.
Se você clicar no marcador "Poemas Juan Trasmonte", tem mais de cem.
Muito obrigado.
Mesmo.
bjs

Juan Trasmonte disse...

joamot, eu vou lá no teu blog depois para te responder.
Abs.

Janaina Amado disse...

Oba, vou lá conhecer mais alguns poemas seus! Não sou generosa, não - e também não sou poeta. Mas sei reconhecer um grande poema. E este é.
PS - Interessante isso dos 2 idiomas. Me chamou a atenção desde que você falou do assunto num post, contando do seu bilinguismo. Pensei: "É o primeiro falante de espanhol que conheço que nunca confunde as duas línguas". Abraço!

Juan Trasmonte disse...

Nem sempre. Você já leu esse texto?
http://nemvem-quenaotem.blogspot.com/2009/01/traidora-gringuice-foragida.html

Fique a vontade, tem bastantes poemas pra ler
Obrigado de novo
beijos