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segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Ela é minha cara


Causa reboliço aonde passa,
Desce mais redondo que a cachaça...
Ela é a fulana de tal,
O seu palácio vai do Leme ao Pontal,
É a minha mais entre as dez mais.
Ela é gente bem,
Por isso mesmo não dá mole a ninguém,
Mas um dia eu faço ela sambar.

Ela é o colírio da moçada
Quando chega pára a batucada.
Ela é o jazzy,
E há quem diga que parece um rapaz,
Mas quem fala é louco pra encarar.

Ela é minha cara
E nem me olha quando a gente se esbarra,
Mas um dia eu faço ela sambar.
Tira onda de granfina ,
Mas pra mim é só a mina
Que enfeitiçou meu coração.
Vai que um dia pinta um clima
E ela vem parar na minha
E eu vou comer na sua mão...

E eu vou comer na sua mão...
E eu vou comer na sua mão...

Ela é minha cara, de Celso Fonseca e Ronaldo Bastos, interpretada por Mart'nália

Conheci Mart'nália no dia da entrevista marcada para o documentário Samba no pé. O ponto de encontro era o Circo Voador, na passagem de som da Rita Ribeiro. Nessa noite ia ter canja da filha de Martinho e Anália.
Quando ela chegou, perto das seis e depois do almoço no Nova Capela, os membros da equipe começaram a olhar pra mim com desconfiança. Parecia que Mart'nália tivesse vontade de qualquer coisa, menos de falar. Até esse momento tudo tinha dado certo e os entrevistados haviam esbanjado gentileza e sorrisos.
Mas quando a câmera acendeu, Mart'nália também iluminou-se, deu um show de bola e deixou momentos inesquecíveis para o documentário.
Depois compreendi que Mart'nália estava apenas amanhecendo. A história vale para referenciar o novo disco da artista, intitulado Madrugada, produzido por Arthur Maia e Celsinho Fonseca, que já havia produzido o ótimo Pé do meu samba e que ainda deu essa Ela é minha cara, em parceria com Ronaldo Bastos.
Se enganou quem pensava que depois do sucesso do Menino do Rio, a cantora ia tentar repetir a fórmula. Ela vai quase no sentido oposto, mas continua fiel à sua essência, traçando pontes entre Vila Isabel e a Motown, entre a raiz e a MPB. E graças a deus e aos orixás, tudo acaba em samba. Nas madrugadas onde ela se inspira, passeia sua ginga e também responde os e-mails.
Se eu tenho um lado carioca é esse mesmo. Mart'nália é minha cara.

Foto de Mart'nália de Eny Miranda

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Rio pra não chorar


Rio, rio, rio
Rio pra não chorar
Pra quem não sabe eu sou rio
A cantar

Som do Flamengo
Soa ali em Botafogo
Sou da casquinha do ovo
E essas flores
Na Rocinha vou plantar
Quem olhar minha barraca
No morro de Dona Marta
Quer morar

Rio, rio, rio
Rio pra não chorar
Pra quem não sabe sou Rio
A cantar

Se tenho fome
Como logo o Pão de Açúcar
Urro no morro da Urca
Se quero abraço
Tenho o Cristo pra abraçar
Tamborim pra ti tarol
Escolados pelo sol
Rio e morro de amar

Vide Gal, de Carlinhos Brown
Foto de Martinho da Vila e Mart'nália, devidamente ataviados para sair na Vila

Fazia tempo que não dedicava uma postagem para celebrar o Rio de Janeiro. Esse retrato singelo que o baiano Carlinhos Brown fez, acabou de ganhar sua versão definitiva. A querida Mart'nália, que aos poucos está virando o rosto feminino da música com selo carioca, gravou em dueto com o pai Martinho para a trilha sonora do filme Era uma vez, que estreia essa semana.
A letra foi colocada do jeito que eles cantaram. Infelizmente, por enquanto o cd não tem previsão de lançamento

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Samba no pé e no cuore


Por esses dias fazem dois anos desde a estreia do documentário Samba no pé no Festival do Rio. Eu sempre disse que a minha maior alegria por ter criado esse projeto foi o fato de que as pessoas envolvidas, os artistas participantes, tenham ficado satisfeitos com o resultado. Afinal de contas é um olhar estrangeiro sobre um assunto brasileiro demais, uma cosmogonia tão oceánica que era assustador o quanto ia ficar de fora.

Essa semana o filme voltou a ser projetado em duas sessões, no contexto do Mes Cultural del Brasil en Buenos Aires, junto de feras como Paulinho da Viola-Meu tempo é hoje, de Izabel Jaguaribe e Coisa mais linda, de Paulo Thiago. Assim foi que pela primeira vez, escondido no escurinho, sem o protocolo dos festivais, me encontrei com a emoção do público. Pessoas que sem envolvimento algum e sem o compromisso com "os realizadores", aplaudiram sinceramente no final.

Depois alguém falou pra alguém que eu estava lá e tive que encarar a semgracice de receber os elogios.

Então se "samba é tudo o que Donga abençoou", hoje pela primeira vez senti que eu tinha feito alguma pequena coisa pra espalhar essa semente.

Já guardava o abraço da Surica, o sorriso aberto da Mart'nália, a lágrima contida da Teresa Cristina, as palavras do Haroldo Costa, o olhar do Mestre Xangô da Mangueira, o fervor do Carlinhos de Jesus... Agora isso.
Mais duas vidas não seriam suficientes pra eu agradecer o que esse filme me deu.

Na foto da filmagem do Samba no pé, eu, Eduardo Montes-Bradley (diretor), Surica, Mustapha Barat (diretor de fotografia) e Bruno Fernandes (diretor de som)

sábado, 5 de maio de 2007

É Martinho lá da Vila



Pode sorrir se quiser
que eu não vou me incomodar
sei que contra a maré
a gente não pode remar
agora sei a dor de uma ingratidão
mas a maré vai levar
as magoas do meu coração

Remo no barco da vida
água bate, não me cansa
sempre na maré pesada
sonhando com a maré mansa
pescador ja não se assusta
com sorriso de sereia
e depois da maré baixa
sempre vem a maré cheia.

Maré mansa (Mar calmado), de Martinho da Vila e Paulinho da Viola
Foto do arquivo pessoal do sargento Martinho José Ferreira

domingo, 24 de dezembro de 2006

Pé do meu samba



Dez na maneira e no tom

Você é o cheiro bom

Da madeira do meu violão

Você é a festa da Penha,

A feira de São Cristovão,

É a Pedra do Sal

Você é a Intrépida Trupe

A Lona de Guadalupe

Você é o Leme e o Pontal


Nunca me deixa na mão

Você é a canção que consigo

Escrever afinal

Você é o Buraco Quente

A Casa da Mãe Joana

É a Vila Isabel,

Você é o Largo do Estácio,

Curva de Copacabana

Tudo que o Rio me deu!


Pé do meu samba

Chão do meu terreiro

Mão do meu carinho

Glória em meu Outeiro

Tudo para o coração

De um brasileiro.

(Um dia Caetano deu de presente pra filha de Martinho e Anália)