Mostrando postagens com marcador Tia Surica. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Tia Surica. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Casemiro da Cuíca



Não não deixe que a tentação
Venha modificar o nosso viver
Alimento uma ilusão
E só você sabe o porquê
Na tristeza que me invade
Só é Deus é que sabe
O que eu sinto por você
Procuro encontrar uma solução
Mas não posso governar o coração
Que sofre por te amar em vão.

Tentação, de Casemiro da Cuíca e Ramon Russo

Semana desgraçada essa, hein? Mais um que vai para trupe do céu. Casemiro da Cuíca, o mais velho integrante da Velha Guarda da Portela, que iria fazer 90 anos em abril, partiu ontem.
Aqui tem um fragmento precioso de Paulinho da Viola encontrando a Velha Guarda na casa da minha querida Surica. Lá está o Casemiro que, no estilo antigo, continuava usando querosene para molhar o pano da cuíca.
Ainda bem que essa aristocracia da escola de Oswaldo Cruz vai passando testemunha para as outras gerações. Estão aí Cristina Buarque, Teresa Cristina e outros para provar.

Foto de Casemiro da Cuíca de Serra Azul, em show de apresentação do documentário O mistério do samba, em São Paulo, em agosto de 2008

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Corri pra ver


Ouvi cantando assim
ô ô, ô ô
A majestade do samba
Chegou, chegou
Corri pra ver
Pra ver quem era
Chegando lá
Era a Portela

Era a Portela do seu Natal
ganhando mais um carnaval
Era a Portela do Claudionor
Portela é meu grande amor

Ouvi cantando assim...

Era a rainha de Oswaldo Cruz
Portela muito nos seduz
foi mestre Paulo seu fundador
nosso poeta e professor

Ouvi cantando assim...

Corri pra ver, de Chico Santana, Monarco e Casquinha
Foto de divulgação de Casquinha, Zeca Pagodinho e Monarco

Hoje estreia nos cinemas do Brasil O mistério do samba, documentário de Lula Buarque de Hollanda e Carolina Jabor sobre a Velha Guarda da Portela.
Li nos foruns da vida que esse filme e todos os documentários musicais que estão aí, desde o de Cartola até o dos Rolling Stones, são cópia do Buena Vista Social Club. Bobagens.
Pra começar, sem tirar seus méritos, o BVSC não foi o primeiro documentário sobre música e ou músicos, o próprio Scorsese fez The Last Waltz, documentário sobre The Band, em 1978.
E também, ninguém ia esperar dez anos pra copiar um filme, até porque se essa fosse a intenção outros poderiam copiar primeiro.
Eu que tive a honra de produzir e escrever o roteiro de um documentário sobre samba em que aparecem algumas dessas figuras maravilhosas das velhas guardas, sinto a maior felicidade quando um outro filme do estilo é feito.
As velhas guardas merecem o nosso maior respeito, porque eles são os que mantiveram a tradição quando o samba não estava na mídia nem na moda e eles são os que seguram o samba pra passar para as outras gerações.
Então, hoje estreia O mistério do samba. Corram pra ver.

domingo, 6 de janeiro de 2008

Confraternização de bambas


Tia Surica canta enquanto Negão da Abolição bate palmas. Foi na Confraternização do Ano Novo, no Cafofo, em primeiro de janeiro.
A foto é gentileza da querida Tia Bia Alves, eterna rainha do Bloco dos Suburbanistas

domingo, 2 de dezembro de 2007

Nessa data querida


E no meio dessa loucura toda e dessa distância entre Buenos Aires e Madureira, foi o aniversário da querida, maravilhosa Surica. Que vontade de estar lá...
(Claro que não vou dizer quantos anos)


Foto do site Tudo de samba

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Samba no pé e no cuore


Por esses dias fazem dois anos desde a estreia do documentário Samba no pé no Festival do Rio. Eu sempre disse que a minha maior alegria por ter criado esse projeto foi o fato de que as pessoas envolvidas, os artistas participantes, tenham ficado satisfeitos com o resultado. Afinal de contas é um olhar estrangeiro sobre um assunto brasileiro demais, uma cosmogonia tão oceánica que era assustador o quanto ia ficar de fora.

Essa semana o filme voltou a ser projetado em duas sessões, no contexto do Mes Cultural del Brasil en Buenos Aires, junto de feras como Paulinho da Viola-Meu tempo é hoje, de Izabel Jaguaribe e Coisa mais linda, de Paulo Thiago. Assim foi que pela primeira vez, escondido no escurinho, sem o protocolo dos festivais, me encontrei com a emoção do público. Pessoas que sem envolvimento algum e sem o compromisso com "os realizadores", aplaudiram sinceramente no final.

Depois alguém falou pra alguém que eu estava lá e tive que encarar a semgracice de receber os elogios.

Então se "samba é tudo o que Donga abençoou", hoje pela primeira vez senti que eu tinha feito alguma pequena coisa pra espalhar essa semente.

Já guardava o abraço da Surica, o sorriso aberto da Mart'nália, a lágrima contida da Teresa Cristina, as palavras do Haroldo Costa, o olhar do Mestre Xangô da Mangueira, o fervor do Carlinhos de Jesus... Agora isso.
Mais duas vidas não seriam suficientes pra eu agradecer o que esse filme me deu.

Na foto da filmagem do Samba no pé, eu, Eduardo Montes-Bradley (diretor), Surica, Mustapha Barat (diretor de fotografia) e Bruno Fernandes (diretor de som)

sábado, 3 de fevereiro de 2007

Tia Surica




David no pandeiro
Casemiro na cuíca
olha a festa já vai começar
no cafofo da Surica

Seu Osmar do cavaco
puxou um partido
com mestre Casquinha
que versou com Argemiro
lembrando dos tempos
lá da Portelinha

Velha Guarda no samba
conduz a emoção
de quem plantou semente
da flor da canção
a solidão ninguém sabe
onde é que fica
porque a festa já vai começar
no cafofo da Surica

Um samba do Monarco
com Doca e Eunice
sambando no chão
é samba da Portela
olha a Áurea chegando
e batendo com a mão
Guaracy 7 cordas
tem seu violão
Cabelinho no surdo
só na marcação

e o tamborim
Seu Jair, como é que fica?
porque a festa já vai começar
no cafofo da Surica.

Cafofo da Surica, de Teresa Cristina em homenagem a Tia Surica, pastora da Portela. Em entrevista para o documentário Samba no pé, Surica, que agora eu chamo carinhosamente de "Rainha das baixinhas", me disse: "Eu trago no sangue o micróbio do samba".
Agradeço à vida por ter conhecido Surica, e as maravilhosas amigas do Povo do Bem que por ela conheci. Agora que outro carnaval está chegando e eu estou longe, é bom lembrar dos artistas que respiram samba e que todos os dias escrevem sua história.
Salve Surica, salve Teresa Cristina, salve a Velha Guarda da Portela.