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sexta-feira, 17 de julho de 2009

Albert Pla faz diferença



Sabe esses artistas que você conhece mas nunca parou realmente para prestar atenção? Antes eu era muito ansioso com isso. Na minha educação de música brasileira aconteceu bastante. Assim que eu conhecia um artista já queria ir atrás da obra toda. Depois descobri que o encontro entre artista e gente é uma forma de encontro amoroso. Acontece ou não. Não é depois da hora mas também não deve ser antes da hora. E a gente precisa se dar o tempo para o conhecimento da obra.
As leis do mercado conspiram contra isso e as mudanças nos costumes e no estilo de vida no século 21 também. Já é mais difícil ir atrás de alguém porque a oferta que está na frente do nariz é tão grande que ninguém precisa mais se mexer. E como sempre, o excesso de informação acaba desinformando, acaba comendo pelas bordas a liberdade de escolha.
Com o artista catalão Albert Pla e eu aconteceu isso. Eu tinha ouvido umas músicas soltas e gostava do personagem. Nessa altura é importante acrescentar que Albert está completamente maluco, mas ele é um desses malucos que velam pela sanidade universal.
Seu mais novo cd, La Diferencia virou minha cabeça. Embora ele possa estar acompanhado de músicos, o espetáculo é ele. Suas músicas atravessadas de ironia devastadora têm letras quilométricas. Os alvos podem ser a alienação, o amor, o desamor, o imperialismo, a monarquia ou o clero. E os versos da maior crueza, da maior brutalidade, no contexto das canções dele não soam como propaganda.
Albert não canta, expulsa as canções.
Nesse último album tem uma música chamada La colilla (A ponta de cigarro), que conta em dez minutos a história de um imigrante mexicano que é degolado na fronteira e cuja cabeça ainda com a ponta de cigarro que estava fumando na boca, vai rolando pelos Estados Unidos e tocando fogo em tudo que encontra. Sim, esse é o nível de maluquice.
Deixo aqui o vídeo da música La colilla. É um desenho animado.

Foto de Albert Pla, de Samuel Sánchez

sábado, 27 de dezembro de 2008

Capricornianos


Muhammad Ali


Albert Schweitzer


David Bowie



Mao Tse-Tung

Eles e Jack London, Edgar Allan Poe, Martin Luther King Jr, Moliere, Euclides da Cunha, Nicolas Cage, Isaac Newton, Jorge Benjor, Nat King Cole, Henry Miller, Anthony Hopkins, Rowan Atkinson, Humphrey Bogart, Elvis Presley, Joan Manuel Serrat, Louis Pasteur, Rod Stewart, Denzel Washington, Nostradamus, Benjamin Franklin, Federico Fellini, João Cabral de Melo Neto, Josef Stalin, Candido Portinari, David Lynch.
Todos eles nascidos sob o signo de capricórnio.

Foto de Muhammad Ali de Art Shay
Foto de David Bowie da Rolling Stone magazine




quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Warhol - 80 anos




Só podia ser leão no zodíaco. Hoje faria 80 anos Andy Warhol, no ano em que fazem vinte que ele morreu.
As duas imagens pertencem ao fotógrafo Christopher Makos, que foi discípulo primeiro de Man Ray e depois do máximo ícone da arte pop. Como Makos também foi um acólito de Warhol, ele fez centenares de fotos que hoje rodam o mundo. No encontro com essa outra celebridade de Salvador Dalí (haja espaço para tanto ego!) Makos registrou esse beijo, certamente mais profano que aquele que ocupa a postagem de ontem. O mais engraçado foi que Makos passou o almoço inteiro tentando conversar com Gala, a amada musa de Dalí, até que ela virou pra ele e disse: "Não me interessa nada do que você diga".
Warhol é uma figura fundamental para entender a cultura pop, mas vamos convir que a arte da humanidade não começou com ele, como alguns moderninhos pretendem.

Fotos de Andy Warhol e Andy Warhol e Salvador Dalí, de Christopher Makos

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Abril 74


Companys, si sabeu
on dorm la lluna blanca,
digueu-li que la vull
però no puc anar a estimar-la,
que encara hi ha combat.

Companys, si coneixeu el cau de la sirena,
allà enmig de la mar,
jo l'aniria a veure,
però encara hi ha combat.

I si un trist atzar
m'atura i caic a terra,
porteu tots els meus cants
i un ram de flors vermelles
a qui tant he estimat,
si guanyem el combat.

Companys, si enyoreu les primaveres lliures,
amb vosaltres vull anar,
que per poder-les viure
jo me n'he fet soldat.

I si un trist atzar
m'atura i caic a terra,
porteu tots els meus cants
i un ram de flors vermelles
a qui tant he estimat,
quan guanyem el combat.

Versão em espanhol

Compañeros, si sabéis
donde duerme la luna blanca,
decidle que la quiero
pero que no puedo acercarme a amarla,
porque aún hay combate.

Compañeros, si conocéis el canto de la sirena,
allá en medio del mar,
yo me acercaria a buscarla,
pero aún hay combate.

Y si un triste azar
me detiene y doy en tierra,
llevad todos mis cantos
y un ramo de flores rojas
a quien tanto he amado,
si ganamos el combate.

Compañeros, si buscáis las primaveras libres,
con vosotros quiero ir
que para poder vivirlas
me hice soldado.

Y si un triste azar
me detiene y doy en tierra
llevad todos mis cantos
y un ramo de flores rojas
a quien tanto he amado.
Cuando ganemos el combate.

Abril 74, de Lluís Llach
Hoje fazem trinta e quatro anos da Revolta dos Cravos, a revolução mais romântica do século vinte, que acabou sem uma bala com décadas de ditadura em Portugal.
Ouvir essa música maravilhosa do catalão Lluís Llach é uma das homenagens mais belas que se podem fazer ao dia mais alegre da história portuguesa.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Seria fantástico


Seria fantàstic
que anès equivocat
i que el wàter no fos ocupat.
Que fes un bon dia
i que ens fes un bon pes.
Que Sant Pere, pagant, no cantés.
Seria fantàstic
que res no fos urgent.
No passar mai de llarg i servir per quelcom.
Anar per la vida sense compliments
anomenant les coses pel seu nom.
Cobrar en espècies i sentir-se ben tractat
i pixar-se de riure i fer volar
coloms.
Seria tot un detall,
tot un símptoma d'urbanitat,
que no perdessin sempre els mateixos
i que heretessin els desheretats.
Seria fantàstic
que guanyés el millor
i que la força no fos la raó.
Que s'instal·lés al barri
el paradís terrenal.
Que la ciència fos neutral.
Seria fantàstic
no passar per l'embut.
Que tot fos com és manat i ningú
no manés.
Que arribés el dia del sentit comú.
Trobar-se com a casa a tot arreu.
Poder badar sense córrer perill.
Seria fantàstic que tots fóssim fills de Déu.
Seria tot un detall
i tot un gest, per la teva part,
que coincidíssim, et deixessis convèncer
i fossis... tal com jo t'he imaginat.

Versão em português

Seria fantástico

Seria fantástico
que eu estivesse errado
e que o banheiro não estivesse ocupado.

Que fizesse um bom dia
e que não nos-enganassem com o peso.
Que ao pagar São Pedro, não cantasse (*)

Seria fantástico
que nada fosse urgente
não passar batido e prestar para algo
Andar pela vida sem cerimônia
chamando às coisas pelo seu nome.
Receber em espécias e sentir-se bem tratado
e mijar-se de rir e deixar voar
a fantasia.

Seria todo um detalhe
todo um sintoma de urbanidade
que não perdessem sempre os mesmos
e que herdassem os deserdados.

Seria fantástico
que ganhasse o melhor
e que a força não fosse a razão.

Que se instalasse no bairro
o paraiso na Terra
que a ciencia fosse neutral.

Seria fantástico
não passar pelo funil
que todos fossem mandados e ninguém
mandasse
que chegasse o dia do senso comum.
Sentir-se em todas as partes como em casa
poder andar distraido sem correr perigo.
Seria fantástico que todos fossemos filhos de Deus.

Seria todo um detalhe
e todo um gesto da sua parte
que coincidíssemos, te deixasses convencer
e fosses do jeito que eu te imaginei.

Seria fantástico, de Joan Manuel Serrat
Versão para o português de Juan Trasmonte
Foto da Agência EFE para o jornal El País


Fiz a tradução metade do catalão e metade do espanhol para o português. Levou bastante tempo e o objetivo é passar o significado. O verso indicado assim (*) faz referência ao ditado catalão que diz que, pagando, até São Pedro canta. Acho que essa música é uma boa mensagem para o novo ano.

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

José Agustín Goytisolo


Tú no puedes volver atrás
porque la vida ya te empuja
como un aullido interminable,

hija mía es mejor vivir
con la alegría de los hombres
que llorar ante el muro ciego.

Te sentirás acorralada,
te sentirás perdida o sola,
tal vez querrás no haber nacido,

yo se muy bien que te dirán
que la vida no tiene objeto
que es un asunto desgraciado,

entonces siempre acuérdate
de lo que un día yo escribí pensando en ti
como ahora pienso.

Un hombre solo una mujer
así tomados de uno en uno
son como polvo no son nada,

pero yo cuando te hablo a ti
cuando te escribo estas palabras
pienso también en otros hombres,

tu destino está en los demás,
tu futuro es tu propia vida,
tu dignidad es la de todos,

entonces siempre acuérdate
de lo que un día yo escribí pensando en ti
como ahora pienso.

Nunca te entregues
ni te apartes
junto al camino,

nunca digas
no puedo más
y aquí me quedo,

la vida es bella tú verás
como a pesar de los pesares
tendrás amor tendrás amigos.

Por lo demás no hay elección
y este mundo tal como es
será todo tu patrimonio,

perdóname no sé decirte nada más,
pero tú comprende
que yo aún estoy en el camino,

y siempre siempre acuérdate
de lo que un día yo escribí pensando en ti
como ahora pienso.

Palabras para Julia, de José Agustín Goytisolo
Poeta catalão da chamada Geração do 50, foi extremamente sensível, amante da liberdade até o fim e amante dos excesos, tanto que em 1999, no meio de uma das suas depressões, se jogou pela janela.
Esse Palabras para Julia que ele escreveu para a sua filha, é um dos mais bonitos poemas de língua espanhola, e também uma lição de vida, dessa vez sem excesos e sem ufanismo.

domingo, 12 de agosto de 2007

Crianças


Infants...
La vida ran de pols i les mirades altes,
seda tèbia de neu i llot fresc a les galtes.

Infants...

Esperança i enveja, els picarols del cor;
infidels com el temps, sobtosos com la sort.

(O com la mort) mesquins i jugadors infants,
fraudulents i secrets, o pròdigs com soldans;

terroristes de sol i ressol als jardins,
porucs de nit deserta; impàvids assassins

de roses i libèl·lules; mercaders d'afalacs,
de dolçor viciosos i de llet embriacs.

Infants...

La voluptat furtiva del xipolleig i el fang,
insabuda promesa de l'amor de la sang!

Disfresses de tempesta, ornament del dolor,
pintura de la llàstima, marea de la por,

les llàgrimes sonores i artreres i abundants,
les armes de llur guerra civil contra els gegants.


Versão em português

Crianças...

A vida ao rés-do-chão e os olhares altos
seda morna de neve e lama fresca nas bochechas

Crianças...

Esperança e inveja, cascaveis do coração
infieis igual o tempo, súbitas igual à sorte

(ou igual à morte), mesquinhas e brincalhonas, crianças,
trambiqueiras e segredas ou pródigas como sultões

terroristas de sol e resol nos jardins
medrosas na noite deserta, impávidas assassinas

de rosas e libélulas, mercadoras de lisonjas,
viziadas em doces, de leite bébadas.

A voluptuosidade furtiva da chapinhada e a lama
ignorada promessa do amor do sangue!

Fantasia da tormenta, enfeite da dor,
pintura da pena, maré do temor,

as lágrimas sonoras e arteiras e abundantes
as armas da sua guerra civil contra os gigantes.

Infants, do poeta catalão Pere Quart, pseudónimo de Joan Oliver
Versão para o português de Juan Trasmonte

quarta-feira, 27 de junho de 2007

Maria, a do Mar



Si un dia véns a casa,
te mostraré es jardí,
un núvol que tenc al pati
i la flor de gessamí.

No trobaràs la mar,
la mar fa temps que va fugir:
un dia se'n va anar
i em va deixar aquí.

Deixaré sa feina per tu,
ses eines damunt sa taula,
tancaré bé sa finestra
i es vent no em robarà cap paraula.

Trobaràs noves flors
i fruites a la taula,
i una cançó per a tu
que fa temps que tenc guardada.

I més tard, quan te'n vagis,
serà l'hivern cada nit;
jauré en el mateix llit
amb la fredor en els llavis.


Não acharás o mar

Se um dia vens para casa
te mostrarei o jardim
uma nuvem que tenho no quintal
e a flor de jasmim.

Não acharás o mar
o mar faz tempo que fugiu
um bom dia foi embora
e me deixou aqui.

Deixarei por ti meu trabalho,
os cinzeis sobre a mesa
fecharei a janela
para o vento não robar nem uma
palavra.

Acharás novas flores
e frutas sobre a mesa
e uma canção para ti
que faz tempo que eu guardo.

Depois, quando você for embora
cada noite será inverno
dormirei na mesma cama
com frio sobre os lábios.

No trobarás la mar (Não acharás o mar), de Maria del Mar Bonet
Versão para o português de Juan Trasmonte
Maria del Mar é uma glória da canção popular da Catalunha

sábado, 6 de janeiro de 2007

Lluís



Si em dius adéu,
vull que el dia sigui net i clar,
que cap ocell
trenqui l'harmonia del seu cant.

Que tinguis sort
i que trobis el que t'ha mancat
en mi.

Si em dius "et vull",
que el sol faci el dia molt més llarg,
i així, robar
temps al temps d'un rellotge aturat.

Que tinguem sort,
que trobem tot el que ens va mancar
ahir.

I així pren tot el fruit que et pugui donar
el camí que, a poc a poc, escrius
per a demà.

Què demà
mancarà el fruit de cada pas;
per això, malgrat la boira, cal caminar.

Si véns amb mi,
no demanis un camí planer,
ni estels d'argent,
ni un demà ple de promeses, sols

un poc de sort,
i que la vida ens doni un camí
ben llarg.

Que Tinguem Sort, de Lluís Llach, cantor e compositor catalão

Foto de Juan Miguel Morales