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sábado, 11 de abril de 2009

García Márquez e Vargas Llosa: Inimigos íntimos



O escritor colombiano Gabriel García Márquez conheceu seu colega peruano Mario Vargas Llosa em 1967, quando coincidiram na Venezuela para a entrega de um prêmio a Vargas Llosa.
Curiosamente, nesse mesmo ano foi publicado em Buenos Aires Cem anos de solidão, o romance que depois seria estandarte do chamado Boom Latinoamericano.
Gabo e Vargas Llosa ficaram muito amigos, ao ponto de que o peruano chamou o colombiano para ser padrinho do segundo filho.
Mas em 1976 a amizade acabou, e da pior maneira.
Na noite de uma avant-premiere de um filme no México, Gabo foi cumprimentar o amigo de braços abertos, mas Vargas Llosa o recebeu com um direto que deixou García Márquez à beira do nocaute. Jamais voltaram a se falar.
O episódio virou lenda, alimentada pelo mistério. Como se tivesse havido um pacto secreto entre ambos escritores, nenhum deles jamais fez menção daquela noite.
Mas em 2007 apareceu a foto que Rodrigo Moya -o mesmo fotógrafo que tinha imortalizado Gabo no interior da capa do Cem Anos- fez no dia seguinte, onde o depois ganhador do Nobel aparece com o olho roxo. Uma imagem que tinha permanecido trinta anos na gaveta do fotógrafo e da qual só o escritor colombiano tinha cópias.
Moya deu uma pista sobre o incidente. Ele disse que Mercedes Barcha, a esposa do Gabo que o acompanhava naquela manhã, disse várias vezes “É que Mario é muito ciumento”.
Na época, Vargas Llosa atravessava uma crise com a mulher Patricia e o casal García Márquez intercedeu. Mas parece que o peruano não gostou dos conselhos e quando a paz voltou quem levou a pior, como sempre, foi o terceiro em discórdia.
Mas nesses tempos o que começou a distanciar os escritores foram as ideologias, com a consabida virada à direita de Vargas Llosa.
Em 1971, quando o poeta cubano Heberto Padilla foi preso, Vargas Llosa retirou seu apoio à revolução, seguido pelo mexicano Carlos Fuentes. Porém, García Márquez e Cortázar mantiveram a solidariedade com o governo de Fidel.
Mas embora as diferênças cresciam, eles continuaram amigos até a noite do nocaute.
Em fevereiro foi editado na Espanha o livro De Gabo a Mario, de Ana Gallego y Angel Esteban, que pretende jogar luz nas causas da amizade e da separação dos dois escritores e, de quebra, revisitar aquela fase gloriosa da literatura.
Mesmo assim, os autores não arriscam uma versão definitiva sobre a briga porque nenhum dos protagonistas confirmou o motivo.
Talvez, o mistério jamais será desvendado.



Foto de Gabriel García Márquez de Rodrigo Moya
Foto de Gabriel García Márquez com Mario Vargas Llosa, sem crédito do autor