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terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Cachaíto López



Na década de sessenta havia dias em que ele tirava o black-tie da Orquestra Sinfônica e meia hora depois estava num outro palco tocando seus danzones e rumbas. Essa dualidade para pulsar tanto a corda académica quanto a popular, fez de Orlando Cachaíto López -que morreu ontem em Havana com 76 anos- um músico único.
Conhecido internacionalmente como parte do Buena Vista Social Club, ele foi muito mais que isso. Membro de uma dinastia familiar liderada pelo seu tío Israel, o Cachao, e seu pai Orestes, Cachaíto foi um mestre do contrabaixo que foi testemunha e protagonista das mudanças e da evolução da música cubana.
Ele era um garoto ainda e já tinha intimidade com o chamado ritmo nuevo, que trazia à música africana e o jazz para ritmos como o danzón e o mambo.
Seria tedioso listar aqui todos os discos em que tocou, as bandas que ele integrou e os encontros de palco que protagonizou.
"Eu já contei 17 membros da família que tocam contrabaixo", dizia sorrindo. Pois é, está escrito hoje na maioria dos jornais que com a morte de Cachaíto chega o fim da dinastia. Eu não sei. Até a neta dele já encara o instrumento.
Mas com certeza esse Buena Vista do andar de cima deve estar ficando cheio de sabor. Já estão lá Compay Segundo, Ibrahim Ferrer, Pío Leyva, Rubén González e agora Cachaíto.



Vídeo de improvisação de Cachaíto com Angá Díaz nos estúdios Egrem de Cuba
Fotos de Cachaíto López de divulgação do selo World Circuit Records

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Alberto Korda e o acaso



O fotógrafo Alberto Díaz Gutiérrez achou que a fotografia de modas era uma boa desculpa para estar perto de mulheres belas. Mas Gutiérrez é feito um Da Silva, então ele escolheu o sobrenome artístico Korda, que viu em um filme húngaro dos irmãos Alexander e Zoltan Korda e pela proximidade sonora com a marca Kodak.
Lá estava ele perto das modelos, dos músicos dos clubes noturnos e da publicidade quando a Revolução chegou e a Cuba mudou para sempre.
Foi seu admirado Richard Avedon quem lhe disse "retrate a Revolução". Quando Korda foi enviado a Venezuela para uma reportagem sobre a primera viagem de Fidel Castro ao exterior, seu olhar sobre o mundo mudou.
Ficou amigo de Fidel, e embora nunca foi o fotógrafo oficial, foi identificado como o fotógrafo da Revolução.
A foto famosa do Che Guevara, considerada a mais reproduzida no mundo, saiu quase por acaso em duas tomadas e o artista jamais se interessou em obter lucro com ela.
As fotografias dos líderes cubanos mais divulgadas de Korda não chegam nem ao dez por cento da obra dele.
Como mostram as imagens aqui reproduzidas, Korda -que esse ano teria feito 80 anos- utilizou a sua experiência no mundo frívolo para criar símbolos políticos sem trair nunca sua bagagem estética.


Fotos de Alberto Korda

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Cuba traz o canto livre de Yusa


A cubana Yusa chegou ao Brasil de mãos dadas com Lenine, em 2004. O leão do norte convidou ela e o percussionista argentino, radicado há anos na Bahia, Ramiro Musotto, para fazer em Paris o projeto In Cité. Assim, aos poucos, as pessoas foram conhecendo a arte desta cantora e compositora que se sente a vontade seja no contrabaixo, no caixão espanhol quanto no violão, no tres cubano ou no piano.
Agora, Yusa chegou à Argentina de mãos dadas com Santiago Feliú, o trovador da segunda geração da Nueva Trova Cubana. Ele por sua vez foi apresentado ao público argentino há mais de vinte anos por Silvio Rodríguez. Dessa vez é Santiago quem abre o caminho para Yusa.
Ontem à noite, a cubana apresentou suas armas no Notorious em um show que foi uma jóia rara, com direito a canja de Santiago e com o grande violonista e compositor Elmer Ferrer como convidado.
O "canto livre" do título pode parecer equívoco, toda vez que quando a palavra "Cuba" está perto da palavra "livre", ela é associada a um conceito político, de um ou outro lado. Mas aqui a liberdade está ligada a um conceito musical.
Essa geração de artistas cubanos que estão na casa dos trinta, traz na bagagem múltiplas linguagens musicais. Eles reverenciam os trovadores, mas têm um pé no rock, conhecem a rica tradição cubana, do son ao filin, mas têm uma queda pro jazz nascido do outro lado do oceano. E guardam referéncias também de ritmos de outras terras, como o flamenco.
Dessa mistura sai a arte de Yusa, que acaba de lançar Haiku, seu terceiro disco, produzido pelo brasileiro Alé Siqueira e onde está presente essa pluralidade e o canto dela, belíssimo em sentimento, timbres e registros.

Foto de Yusa de Kaloian

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

A insustentável leveza do meme


Capa do único disco do Melimelum (1976)


The Guess Who, na onda da moda Sgt. Pepper

A querida Requeri, do ótimo e musical re...bloggando, veio me dizer que eu ganhei um meme. Peraí, e que diabo é isso? foi o primeiro que eu pensei. As vezes vocês esquecem que eu sou gringo mesmo. Eu fiquei imaginando que um meme fosse um tipo de leprechaun.
Aí a Requeri veio explicar com a maior paciência do mundo que eu só tenho que escolher as minhas sete músicas preferidas, postar e repassar.
Nossa senhora! Eu vivo fazendo listas de dez músicas de qualquer coisa e sempre é pouco e agora eu só devo escolher sete?
Enfim, eu continuo sem saber a certo o que é o tal do meme, mas com certeza o meme deve ser uma coisa assim... leve. Até tem uma certa musicalidade: meme/leve.
Então, primeiro vejam as sete (aliás foram oito) que Requeri escolheu:
1 . r.e.o. = roll with the changes
2 . eagles = hotel california
3 . george harrison = give me love
4 . dr. john = such night
5 . elton john = madman across the water
6 . david bowie - rock'n roll suicide
7 . b-52s = juliete of spirits
8 . deep purple - anya

E agora, como o meu meme é todo etéreo as minhas têm a ver com alegria, daquela sensorial, que te invade quando você ouve, como uma volta à inocência perdida:

1. Satelite of love - Lou Reed
2. Acabou chorare - Novos Baianos
3. One divided - The Guess Who (aquela ótima banda canadense que tudo mundo conhece por American Woman)
4. Rosado atardecer - Melimelum (uma banda folk argentina da década de 70 que ninguém conhece e só lançou um disco que tem essa música que pra mim tem um dos mais belos arranjos vocais que eu já ouvi. Ouça você também)
5. Good morning starshine (Da peça e o filme Hair, quem canta no filme é a Beverly D'Angelo)
6. El reparador de sueños - Silvio Rodríguez (música que o cantor cubano fez para o seu filho)
7. Pé do meu samba - Mart'nália (por ela, por Caetano que fez a música, pelo meu amor pelo Rio de Janeiro e porque virou leit motiv do meu documentário Samba no pé)

Meu bonus track
8. Scorn not his simplicity - Sinéad O'Connor (da minha deusa pessoal para todas as crianças do mundo)

E finalmente, repasso o dito cujo para:
1. Re D'Elia, do >Magic on Sundays
2. Mara, do >Pintando música
3. Moura, do >BM Blog do Moura
4. Felipe, do >Um pouco de tudo
5. Ana, do >Cabrocha, a flor do samba

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Oito milhões de suspeitos


Soldado, aprende a tirar:
tú no me vayas a herir,
que hay mucho que caminar.
¡Desde abajo has de tirar,
si no me quieres herir!

Abajo estoy yo contigo,
soldado amigo.
Abajo, codo con codo,
sobre el lodo.

Para abajo, no,
que allí estoy yo.
Soldado, aprende a tirar
:tú no me vayas a herir,
que hay mucho que caminar.

Soldado aprende a tirar, de Nicolás Guillén
Foto de Carles Ribas de um acampamento cigano nos arredores de Roma

A palavra comunidade que nomeia o status político europeu está esvaziando de conteúdo. O governo Berlusconi, que cada dia parece mais com um patético Mussolini do novo século, anunciou que vai colocar três mil soldados nas ruas das principais cidades italianas.
Mais uma vez, em nome da segurança o estado italiano aperta o cerco contra os imigrantes chamados ilegais. Segundo anunciado pelas próprias autoridades, serão especialmente vigiados os "centros de retenção", construções precárias onde, de acordo com a nova lei, os sem papeis podem ficar detidos até 18 meses sem processo.
Curioso é que a velha Europa, agora orgulhosa e medrosa, é um continente de emigrantes. Milhões de europeus partiram nos séculos dezenove e vinte fugindo da fome e das guerras.
Uma comunidade para merecer tal nome, precisa respeitar valores fundamentais.
Oito milhões de pessoas na Europa são hoje suspeitos a priori pelo fato de serem estrangeiros, desconhecendo garantias e leis básicas, como a Convenção dos Direitos dos Imigrantes da ONU.
Essa luta continua.

Assine contra os centros de detenção de imigrantes na Europa
Assine contra a perseguição de ciganos na Itália

sexta-feira, 27 de junho de 2008

O sonho de Ibrahim


O projeto do Buena Vista Social Club, criado por Ry Cooder e depois filmado por Wim Wenders, deu projeção internacional para vários artistas cubanos excelentes. O caso emblemático foi o de Ibrahim Ferrer porque ele tinha caído no esquecimento até na ilha.
Cantor de orquestras em casinos e teatros, Ibrahim teve antes de subir a oportunidade de ser conhecido e reconhecido pelo público. Conseguiu gravar seu primeiro disco solo e depois cumprir o velho sonho de gravar um disco só de boleros, ritmo cubano por excelência, com as músicas que ele mais gostava de cantar na noite.
Publicado agora, Mi sueño acabou sendo sua obra póstuma. Ibrahim não assistiu ao resultado, mas o sonho já estava cumprido.

Foto de Youri Lenquette

domingo, 8 de junho de 2008

Bethânia-me Omara-me


Ontem à noite Maria Bethânia e Omara Portuondo deram um único show em Buenos Aires como parte das apresentações ao vivo do disco que fizeram juntas, partindo do encontro humano que aconteceu num almoço no Copacabana Palace.
Pouco vi do show porque estava trabalhando, mas perto do final, bem do lado esquerdo do palco, cheguei a enxergar o olhar amoroso da cantora bahiana para a cantora cubana e, pouco depois, o jeito com que Omara entregou-se ao abraço de Bethânia.
Foi suficiente. Assisti muitos shows de Bethânia que sempre são encenados com rigor no detalhe, e com as músicas inseridas num conjunto, de maneira tal que não deve ser facil pra ela dividir o palco. Que nada, como afirmei outras vezes, a arte aconteceu no encontro. Faz todo o sentido a adaptação feita na letra do bolero Havana-me, de Paulo César Pinheiro e Joyce. A cantora brasileira acrescentou os versos "Bahiana-me", "Bethânia-me" e "Omara-me". E todos nos sentimos embalados, abraçados no abraço delas.

Foto de Nelson Perez

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Tata Güines


E lá foi se Tata Güines, "el rey de los tambores"...
Fez seus primeiros bongoes com duas latas, uma de lingüiça e outra de leite condensado. Criou um estilo único de tocar as tumbadoras, onde até unha valia, sempre com as mãos perto do couro, com uma batida firme e a mão esquerda levemente mais rápida, o que fez crer a muitos que ele era canhoto. Isso lhe rendeu seu apelido.
Foi sapateiro, tocou por trocados, levou pra Nova Iorque seu talento, ganhou a admiração do Dizzie Gillespie e Josephine Baker, entre muitos. Voltou para sua Cuba, onde percussionistas do mundo todo foram procura-lo para aprender com ele.
Partiu no dia 4 de fevereiro e foi despedido como corresponde, com rumba, por Omara Portuondo, Pancho Terry, o génio do chekeré, e outros mestres da ilha, nos rituais da santeria.



"Soy cubano nacido en Güines y moriré aquí"
Tata Güines

domingo, 25 de novembro de 2007

Reencontro esperado


Foi um reencontro esperado, do público argentino com o artista cubano Santiago Feliú em Buenos Aires. É uma forma de amor generosa a que acontece entre as pessoas e os artistas. Ainda bem. Fico feliz de ter contribuído para isso.

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Santy Feliú


"Resulta insultante que la soledad dependa del amor para aliviarse"
Santiago Feliú

O cantor, compositor e violonista cubano Santiago Feliú está na Argentina para fazer um show -que eu estou produzindo- em Buenos Aires, na sexta-feira. Quem puder divulgar, será lembrado em minhas preces.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Batá Brasil




Mestre Léo Leobons criou um site sobre batá no Brasil. Não é só pra aqueles que quiserem ter algum dia as suas mãos lavadas, mas também para aqueles que quiserem abrir a porta à cosmogonia dos tambores sagrados. Como os verdadeiros mestres, Léo é humilde e diz que o site é para fazer uma homenagem a um dos seus mestres, Fermín Nani, mas além disso está lá todo o seu conhecimento sobre batá-Añá.
http://www.batabrasil.com.br/

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Yusa



Salve Yusa! Bota pra quebrar y que viva Cuba

sexta-feira, 20 de julho de 2007

Expulsão da poesia



Poesia já foi feita
pra se jogar do corpo
está na sua essência
na gênese na ideia
poesia merda sêmen
ar quente chute medo
é tudo pra expulsar
é tudo pra engendrar
depois botar pra fora.

Expulsão da poesia, de Juan Trasmonte (Todos os direitos reservados)
Foto: Earth Body, instalação de Ana Mendieta

domingo, 15 de julho de 2007

Silvio



Adónde van las palabras que no se quedaron,
adónde van las miradas que un día partieron.
Acaso flotan eternas
como prisioneras de un ventarrón
o se acurrucan entre las rendijas
buscando calor.
Acaso ruedan sobre los cristales
cual gotas de lluvia que quieren pasar
acaso nunca vuelven a ser algo?
acaso se van.
¿Y adónde van
adónde van?

En que estarán convertidos mis viejos zapatos
adónde fueron a dar tantas hojas de un árbol.
Por dónde están las angustias
que desde tus ojos brotaron por mí,
adónde fueron mis palabras sucias
de sangre de abril.
Adónde van ahora mismo estos cuerpos
que no puedo nunca dejar de alumbrar
acaso nunca vuelven a ser algo?
Acaso se van
¿Y adónde van,
adónde van?

Adónde va lo común, lo de todos los días,
el descalzarse en la puerta, la mano amiga.
Adónde va la sorpresa
casi cotidiana del atardecer,
adónde va el mantel de la mesa,
el café de ayer.
Adónde van los pequeños,
terribles encantos que tiene el hogar
acaso nunca vuelven a ser algo?
Acaso se van
¿Y adónde van
adónde van?

Adónde van, de Silvio Rodríguez

sábado, 23 de junho de 2007

Bola de Nieve



Amor, yo sé que quieres
llevarte mi ilusión.
Amor, yo sé que puedes también
llevarte mi alma.

Pero, ay amor,
si te llevas mi alma,
llévate de mí
también el dolor,
lleva en tí todo mi desconsuelo
y también mi canción de sufrir.

Ay amor, si me dejas la vida,
déjame también
el alma sentir;
si sólo queda en mi dolor y vida,
ay amor, no me dejes vivir.

Ay, amor, de Ignacio Villa o Bola de Nieve
Na foto, Bola de Nieve com o poeta, também cubano, Nicolás Guillén

segunda-feira, 11 de junho de 2007

Barredores de tristezas



Si me dijeran pide un deseo
preferiría un rabo de nube
un torbellino en el suelo
y una gran ira que sube.

Un barredor de tristezas
un aguacero en venganza
que cuando escampe
parezca nuestra esperanza.

Si me dijeran pide un deseo
preferiría un rabo de nube
que se llevara lo feo
y nos dejara el querube.

Un barredor de tristezas,
un aguacero en venganza
que cuando escampe
parezca nuestra esperanza.


Rabo de nube, de Silvio Rodríguez
Barredor, de Alma Rosales

Rabo de nube é uma forma em espanhol de chamar o furacão.
Vai dedicado ao querido Silvio e à querida Alma, que hoje faz anos, dois "barredores de tristezas" em minha vida.

domingo, 24 de dezembro de 2006

Pessoas pelas que vale a pena "quemar el cielo" (I)


HOJE: ALMA

La era está pariendo un corazón,
no puede más, se muere de dolor
y hay que acudir corriendo
pues se cae el porvenir
en cualquier selva del mundo,
en cualquier calle.
Debo dejar la casa y el sillón,
la madre vive hasta que muere el sol,
y hay que quemar el cielo si es preciso por vivir,
por cualquier hombre del mundo, por cualquier casa.

(Versos emprestados por Silvio Rodríguez)