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sexta-feira, 31 de julho de 2009

Raymond Pettibon





Raymond Pettibon é um cara estranho. Mora na Califórnia, onde tudo é longe, mas não gosta de carros, prefere andar. Na casa dele cria pittbulls de briga mas diz não ser violento e se a violência aparece freqüentemente na obra dele é por causa da atração que sente pela imagem em movimento. Já desenhou muita obra famosa assistindo televisão.
Seus primeiros trabalhos divulgados foram as capas de discos pra gravadora SST Records, propiedade do irmão dele, Greg, também primeira guitarra do Black Flag. A mais popular é a que fez para Goo, do Sonic Youth.
Com seu estilo figurativo, parente dos comics, virou uma celebridade do mundo das artes. Mas Raymond não parece nem um pouco interessado por esses brilhos.



Reproduções de obras de Raymond Pettibon
Foto de Raymond Pettibon de Craig McDean

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Dia dos namorados



Nem todas as histórias de amor têm final feliz, mas como dizia o Poetinha, "que seja eterno enquanto dure".
Não dou a mínima para essa data, mas esse ano me deu vontade de fazer algo aqui. Devo estar ficando velho.

Foto de Kurt Cobain e Courtney Love, de Michael Lavine

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Bonnie and Clyde, 75 anos depois


Os verdadeiros


Os do cinema

Setenta e cinco anos depois, Bonnie & Clyde, o casal mais famoso da história do crime, volta à cena, depois que o FBI achou arquivos que revelam detalhes da cilada que "os federais" montaram para caçar os bandidos.
Os jovens Bonnie Parker e Clyde Barrow começaram fazendo pequenos furtos em postos e, em pouco tempo, entraram num turbilhão de violência e viraram os maiores inimigos públicos dos Estados Unidos, em uma época em que histórias de gangsters eram acompanhadas como hoje acompanha-se a novela das oito. Em uma época em que a sociedade precisava de heróis e malvados para fugir do amargor da depressão econômica.
O FBI resgatou relatórios, documentos e fotografias da aventura que acabou com a morte do casal, em maio de 1934, e que até hoje é citado como um dos pilares da construção do prestígio do FBI.
Entre os telegramas oficiais da polícia de vários estados, apareceram cartas de civis que afirmavam ter visto o casal; um relatório que diz que no condado de Texas, alguém esperava Clyde com 250 balas e a reconstrução detalhada dos passos seguidos pelos bandidos e das ações policiais na perseguição. Todo essa informação poderá ser consultada por pesquisadores, jornalistas e também será texto de estudo nas academias da polícia.
E como nos Estados Unidos todo acaba em filme, em 1967, Warren Beatty e Faye Dunaway vestiram com seu charme os personagens, no hoje clássico filme de Arthur Penn. E já foi anunciado para o ano próximo um novo filme: The Story of Bonnie and Clyde, com Hillary Duff, Kevin Zegers e (talvez) Michael Madsen e Lee Majors.
A história de Bonnie and Clyde teve todos os ingredientes para despertar sentimentos encontrados: morbo, paixão e crime.

They don't think they're tough or desperate
They know the law always wins
They've been shot at before, but they do not ignore
That death is the wages of sin.

Someday they'll go down together
And they'll bury them side by side
To few it'll be grief, to the law a relief
But it's death for Bonnie and Clyde.



The Story of Bonnie and Clyde (fragmento), de Bonnie Parker, escrito umas semanas antes de morrer.
Foto de Bonnie Parker e Clyde Barrows da Agência AP
Foto de Faye Dunaway e Warren Beatty no filme Bonnie & Clyde, divulgação
Foto de curiosos e volta do carro dos arquivos do FBI

quinta-feira, 4 de junho de 2009

David Carradine e a inocência perdida



O protagónico do seriado Kung Fu era para Bruce Lee, mas parece que alguém na ABC não quis que o personagem fosse confiado a alguém que não era auténticamente estadunidense. Algo assim como quando chamaram Brando para fazer Emiliano Zapata. Aquilo só foi salvo porque Brando é Brando, mas o physique du rol não dava mesmo. Já no mesmo filme, estava o verdadeiro mexicano Anthony Quinn, que acabou faturando um Oscar.
Um dia eu escrevo sobre o racismo em Hollywood, mas o caso é que quando rejeitaram Bruce Lee, os executivos do estúdio colocaram no lugar dele "o filho do John Carradine", que tinha os olhos puxados mas era bem dos USA.
Deu certo porque o seriado teve um sucesso além do esperado. Durou cinco temporadas. O rosto pouco expressivo de David caia como uma luva no monge Shaolin, que havia sido ensinado para não exibir emoções.
Em casa, Kung Fu era ponto obrigatório. Uma vez por semana, depois da janta, a gente distribuia as cadeiras na frente da televisão em preto e branco. A luz era desligada, só ficava uma pequena lámpada da escrivaninha "porque não faz bem assistir tevê no escuro".
A mistura de filosofia oriental com cenas de porrada produzia um fascínio na criança que eu era.
Depois David foi sumindo, como tantos atores devorados pelos personagens de sucesso.
Com o tempo, ele apareceu como protagonista do filme A flauta silenciosa, que também herdara do Bruce, que mais uma vez tinha sido rejeitado por Hollywood. Era mais ou menos o mesmo personagem com nome diferente.
Quando comecei a viver de assistir filmes e escrever sobre eles, li que David foi uma figura tingida pela cultura hippie e comecei a achar mais simpatia na pessoa que nos personagens, tirando o Kwai Chang Caine, que como todas as coisas associadas à infância podem ser ruins, mas são intocáveis.
Foi Tarantino, o antropófago mor do entertainment dos setentas, quem resgatou para Kill Bill um David Carradine, caricato de si mesmo, que brincou com sua lenda.
Já estava além do bem e do mal, tanto como para aparecer morto sentado no teto de um armário e meu lado criança sentir tristeza, mas meu lado adulto não achar surpresa.
Quando perdemos uma figura dessas, também sentimos tristeza pela nossa inocência perdida.



Foto de David Carradine no seriado Kung Fu da Agência Reuters
Foto atual de David Carradine da Agência AP

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Sexta-feira non sancta (XIV)


O cantor e compositor David Crosby fumando ervas profanas

Foto de Henry Diltz

quarta-feira, 13 de maio de 2009

As máscaras de Philip


O ator Philip Seymour Hoffman



Sinédoque, Nova York (Synecdoche, New York), de Charlie Kaufman (2008)


Dúvida (Doubt), de John Patrick Shanley (2008)



Capote, de Bennett Miller (2005)


Felicidade (Happinness), de Todd Solonz (1998)


Jogos do Poder (Charlie Wilson's War), de Mike Nichols (2007)


Boogie Nights (1997), de Paul Thomas Anderson


Ninguém é perfeito (Flawless), de Joel Schumacher (1999)


A última noite (25th Hour), de Spike Lee (2002)

"Hoffman tem o instinto poderoso que faz à gente viver, respirar, mexer e, especialmente, pensar. Tudo isso aparece nas interpretações dele, sem exibir os cordéis".
(Cameron Crowe)

Foto-montagem de Philip Seymour Hoffman, do jornal New York Times
Todas as outras fotos, extraídas dos filmes citados

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Sammy Davis Jr.: O feio mais bonito



Eu sei que sou tremendamente feio, um dos homens mais feios que se possa imaginar, mas a feiúra, quanto a beleza é algo que tem que se aprender a usar. Por toda minha vida resisti a tentação de ser um pouco menos feio, de fazer ajeitar meu nariz, por exemplo.
Minha estrutura óssea é boa, a linha do meu queixo é bonita, meus pômulos são bonitos, meu corpo é proporcionado. Talvez, se eu tivesse reparado o meu nariz, eu seria até aceitável.
Sim, eu sou convicto de que um homem realmente feio, afinal, acaba sendo atrativo. Um homem que não é nem uma coisa nem a outra, passa despercebido, ninguém olha para ele duas vezes.
A respeito do meu olho, enfim, o óptico fez um trabalho tão bom que fica difícil diferenciar o olho falso do verdadeiro. Dá mais a impressão de que tenho uma piscada de que eu sou caolho. Olhe minha pálpebra, veja como ela está firme. É uma obra prima. E quer saber de uma coisa? Eu enxergo muito mais agora que tenho um olho só do que antes, quando tinha os dois.
Com meu único olho descobri um monte de coisas: o judaismo, por exemplo. Com meu único olho encontrei minha esposa e casei com ela. Com meu único olho eu a fiz mãe dos nossos filhos: eu tão negro e ela tão branca; eu tão feio e ela tão formosa. Meu Deus, você não acha extraordinária a minha maravilhosa esposa? Olhe que mulher! Olhe pra ela!
Eu consegui com um olho só. Com um olho! E ela não está nem um pouco preocupada com isso, não. Nem um pouco.

Fragmento de entrevista do ator, cantor e bailarino Sammy Davis Jr. com a jornalista italiana Oriana Fallaci, em 1964.
Nessa entrevista, o grande Sammy respondeu com muito humor e elegância infinita uma bateria de perguntas do teor de "O senhor não pensou na responsabilidade de trazer ao mundo crianças que não serão nem brancas nem negras?" ou "Eu ouvi dizer que o senhor prefere estar com brancos antes que com negros"


Faça uma pausa, veja o "feio" ao vivo, na Holanda, em 1967
Foto de Sammy Davis Jr de Herb Snitzer

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Dez versões estrangeiras de músicas brasileiras


Esperanza Spalding


Pink Martini


Pizzicato Five


Arcade Fire


1. Pink Martini – Tempo perdido
Pode ser criticado o ecletismo do Pink Martini, mas o som deles é irretocável. No Hey Eugene, seu mais recente disco -que já tem dois anos- eles gravaram uma versão muito digna de Tempo perdido, do grande Ataulfo Alves, que originalmente gravara Carmen Miranda em 1933, abrindo as portas do sucesso para Ataulfo.

2. Sinéad O’Connor – How insensitive (Insensatez)
Em seu disco de 1992, Am I not your girl?, Sinnéad gravou as músicas que ouvia sendo uma criança, canções que segundo ela, fizeram que se tornasse cantora. O clássico de Jobim e Vinicius, em inglês, tem toda uma carga inédita que só a cantora irlandesa consegue reformular. Bom, a essa altura não preciso dizer que tenho uma queda por Sinnéad, certo?

3. Pepino Di Capri – Ancora con te (Outra vez)
Da grande compositora paulistana Isolda, responsável por várias gemas do Rei, esta versão italiana gravada em 1985, na mesma linha da original, por Pepino Di Capri.

4. Jim Capaldi com George Harrison – Anna Julia
O baterista da histórica banda Traffic era casado com uma carioca chamada Ana. Quando ouviu o megasucesso do Los Hermanos, fez questão de gravar. Levou a música pra Inglaterra e contou com a breve participação do seu vizinho ilustre, George Harrison, que iria morrer pouco depois. A música teve ainda o Ian Paice, lendário baterista do Deep Purple. Jim também já subiu e se ainda faltava mais fama a essa música de Marcelo Camelo, ficou lá imortalizada em inglês como a última gravação em colaboração do saudoso George.

5. Queen Latifah – Quiet nights of quiet stars (Corcovado)
Jobim é o xodó dos compositores de jazz e das cantoras dos Estados Unidos. Queen Latifah faz bonito nessa versão de Corcovado, com ginga de bossa nova.

6. Arcade Fire – Brazil (Aquarela do Brasil)
Uma das músicas mais gravadas pelo mundo fora, também caiu nas graças da banda canadense multi-instrumental Arcade Fire. Lançado em 2005 como lado B do single Cold Wind. Uma versão simpática dominada pelas cordas, que lembra a dimensão da criação de Ary Barroso.

7. Art Garfunkel – Waters of march (Águas de março)
Aqui faltou tempero. A metade do lendário Simon & Garfunkel canta com seu habitual jeito doce mas não acerta no ritmo do clássico do Jobim.

8. Pizzicato Five – The Girl from Ipanema (Garota de Ipanema)
Adoro esses japoneses malucos do Pizzicato Five. Pena que eles acabaram. No seu jeito retrô-kitsch eles seguem a tradição japonesa que pouco cria e tudo recria. E eles fizeram uma criação mesmo com Garota de Ipanema, apesar das trossentas versões que já existiam em 1997, quando foi lançada a dos Pizzicato na coletánea Lounge-A-Palooza.

9. Attaque 77 – Amigo
Assim como várias bandas do rock brasileiro fizeram versões de músicas dos hermanos -algumas com bastante sucesso e sem conhecimento da origem- também existem as versões em espanhol de músicas brasileiras, feitas por bandas do rock argentino. O Attaque 77 é um grupo de hard rock surgido na década de noventa. Eles eram bem fraquinhos no começo, mas com os anos de estrada ficaram melhores. A inocente Amigo, de Roberto Carlos e Erasmo Carlos virou um rock de guitarras sujas que já fez pular bastante à galera.

10. Esperanza Spalding – Ponta de areia
Uma das mais novas queridinhas do jazz estadunidense, Esperanza é boa de palco, canta bonito e encara o contrabaixo acústico. No cd que leva seu nome, Esperanza gravou a belíssima Ponta de areia, de Milton Nascimento e Fernando Brant. Diferentemente da Jane Monheit, que assassinou o português na sua ininteligível Só tinha de ser com você, Esperanza se esforçou na fonética. Deu certo.

Pra começar, é lista, não é ranking, então como sempre escrevo, a ordem não indica valor. E como a lista de versões gringas de músicas brasileiras é imensa, escolhi essas dez que, de uma ou outra maneira acrescentam valor ou representam curiosidade.
Com autoridade de gringo posso dizer que neste quesito se bem prefiro a grande maioria das versões originais, gosto de ouvir outras aproximações à música brasileira, desde que sejam feitas com respeito intelectual. Isto é pode virar a música de ponta-cabeça, mas não pode canibalizar sem nenhuma proposta artística. Enfim, poderá haver segundas partes para esse item.


Foto de Esperanza Spalding de Johan Sauty
Foto de Pink Martini de Sherri Diteman
Foto de Pizzicato Five de Soren Hitting
Foto do Arcade Fire de Wendy Lynch

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Os Três Patetas e uma história sem sorrisos



A história dos Três Patetas tem uma área escura. Nos bastidores do sucesso se esconde a vida sofrida dos protagonistas, que jamais foram reconhecidos enquanto vivos, foram explorados e jogados fora pelos Estúdios Columbia. A supervivência do trabalho deles só faz maior o hiato entre o que eles significaram na história da comédia e o troco que a indústria do entretenimento lhes deu.
Os irmãos Moe e Curly Howard e Larry Fine eram uns garotos da classe operária quando começaram a trabalhar no gênero do vaudeville, na década de vinte. Nas duas décadas seguintes e no começo dos anos cinqüenta, eles filmaram uns duzentos curtas para a Columbia Pictures, mas foram objeto de uma exploração selvagem pelo empresário deles, Harry Romm, e pelo estúdio, que na época era dirigido por Harry Cohn.
Se bem The Three Stooges não tinham o prestígio de outros cômicos -os curtas deles eram exibidos nos cinemas como complemento de outros filmes-, a Columbia faturou uma fortuna com eles.
A realidade é que a vida dos reis do pastelão não tinha nada de engraçado. Curly era alcoólatra, vivia submetido a paixões que só lhe traziam sofrimento e padecia uma apoplexia que o levou à morte aos 48 anos. No seriado foi substituído por Shemp Howard, irmão mais velho de Moe e Larry, que também morreu cedo; Joe e, no final, por Curly-Joe.
Larry era viciado em jogo. Essa doença fez com que vivesse endividado. E Moe, que era o mais estável, jamais conseguiu superar o destrato dos empresários.
Eles não ganhavam bem, mas tinham trabalho e isso já era muito bom para quem havia atravessado a grande depressão dos anos vinte. Jamais foram cientes da dimensão da popularidade deles.
Em 1958, a Columbia decidiu cancelar as filmagens e eles foram demitidos. Moe chegou a trabalhar como mensageiro dos estúdios e anos depois foi até barrado na porta um dia em que foi visitar velhos colegas.
Na década de sesenta os curtas resurgiram na televisão e Os Três Patetas ganharam uma nova fama que até hoje continua, pois o seriado é ainda exibido em dezenas de países.
Os herdeiros deles se deram bem: a marca The Three Stooges tem mais de cem franquias para roupa, brinquedos, guloseimas e merchandising.
Os outros herdeiros estão aí, de Steve Martin a Jim Carrey, muitos comediantes beberam nas fontes dos Patetas. Até Mel Gibson disse que vários gags de Máquina Mortífera foram inspirados pelas velhas trapalhadas deles.
No entanto, a MGM anunciou a filmação de um longa dos Três Patetas dirigido pelos irmãos Bobby e Peter Farrelly, com Sean Penn, Jim Carrey e Benicio del Toro nos protagónicos.
A história de Os Três Patetas, outro paradoxo entre o público e o privado, só parece confirmar a velha lenda da indústria que diz que em cada cômico se esconde um homem com o coração quebrado.



Veja Os Três Patetas (dublado em português)
Veja Los Tres Chiflados (dublado em espanhol)
Veja The Three Stooges (versão original em inglês)



Fotos de Os Três Patetas, reprodução dos filmes

segunda-feira, 13 de abril de 2009

And a dog named Boo



Meus amigos, estamos em problemas. Se o cachorro do presidente da principal potência mundial é uma razão de estado, não temos como não perder o rumo. Há meses que vejo na mídia notícias e mais notícias sobre esse assunto. E tudo coberto por um véu de mistério como se a questão fosse o arsenal de algum país do Eixo do Mal.
Quem diabo está interessado no cachorro de Obama? Quer dizer, quem deveria estar, além dele e dos coitados dos filhos a quem lhes foi prometido há meses?
Enfim, há dois dias que os principais jornais do planeta reproduzem a foto e dedicam extensas matérias ao novo "primeiro cachorro", doado pela família Kennedy e aceitado depois de uma "visita secreta". Juro que eu li tudo isso, não estou delirando.
Mas já sai viajando. Parece que o cachorrinho foi batizado com o nome Bo, que vem a ser o apelido do vovô das crianças, que vem a ser uma homenagem ao grande compositor e cantor de blues Bo Diddley.
Então eu lembrei de outro cachorro, menos famoso mas que teve lá seus quinze minutos que Warhol lhe prometeu a todo mundo. Tudo bem, tem um o a menos no nome, mas Boo foi o protagonista do grande hit de 1971, Me and you and a dog named Boo, do cantor de folk rock conhecido como Lobo.
O tal Lobo nos documentos é Roland Kent Lavoie. Em 1970, ele estava num bar de Tampa procurando uma rima para o verso "Me and you" quando viu aparecer do outro lado da porta o pastor alemão Boo, conhecido na área. Ele ganhou a rima e o refrão de um sucesso enorme.
Mas o produtor Phil Gernhardt que já trabalhava com ele e que já percebia que a música seria um hit, sugeriu a Roland mudar o nome. E Roland assinou como Lobo, a tradução para o espanhol de wolf. Pois é, na Florida todo mundo arranha um pouquinho de espanhol.
Me and you and a dog named Boo começou a multiplicar sua bonita e fácil melodía nas rádios, chegou ao Top 5 nos Estados Unidos e ao número 4 na parada da Billboard da Inglaterra. O pessoal achava que Lobo fosse uma banda até que o cara deu a ídem.
A carreira de Lobo continuou com moderado sucesso nos anos setenta, mas nada comparável com aquela primeira música.
Ele agora está quase aposentado, dedica seus dias a pescar, à sua plantação de laranja e outras cositas más. E de vez em quando pega o violão e vai fazer uma tournée pela Asia onde, como é sabido, tem mercado pra tudo.
E assim que lembrei da música fui logo pro Youtube e achei um vídeo maravilhoso da televisão inglesa, uma espécie de Os 40 Mais de 1971, um desses programas que botavam moças pra dançar e só. E a música-objeto é a tal.
Então, melhor do que ficar lendo essas notícias ridículas, conheça um cachorro pra valer, o Boo, e de quebra, veja como era a televisão quando não existia Big Brother:
Me and You and a Dog Named Boo



Foto de Bo, o cachorro de Obama, da Agência Reuters
Foto de Boo e o cantor Lobo, sem crédito do autor, achada no site The Back Bay-The Fans of Lobo Webpage

sexta-feira, 3 de abril de 2009

A beleza desatenta



O artista de rua chegou na estação de metrô de tênis, camiseta preta e boné. Tirou o violino do estojo e começou a tocar. Na correria de cada dia, na estação L'Enfant Plaza, em Washington, milhares de pessoas passaram por ele, como cada um de nós passa todos os dias junto a esses artistas que já fazem parte da paisagem rotineira das grandes cidades.
Um minuto depois de começar, ele ganhou seu primeiro dólar. Foi de Bach a Schubert e de Manuel Ponce a Massenet. Um homem parou uns instantes e continuou com passo apresado. Outros foram deixando seu dindim sem parar.
Até que uma criança parou e olhou fixamente pro músico. Mas a mãe também estava com pressa e começou a puxar do casaco pra ele se mexer. A criança teimou em parar e a mãe voltou a puxar.
O cara tocou uns 45 minutos. Ganhou 32 dólares. Por fim, uma senhora se deteve e começou a ouvir mesmo, como se estivesse curtindo. Quando ele acabou de tocar, a mulher disse:

- Eu vi você na Biblioteca do Congresso.

O cara era Joshua Bell, considerado um dos maiores violinistas do mundo e o instrumento que tinha nas mãos era um Stradivarius de 1713, cotado em tres milhões e meio de dólares. Joshua Bell, que acabara de tocar para essa multidão de pedestres, tocara para o presidente Obama em fevereiro e tocou dois dias depois em Boston para um público que lotou o teatro pagando cem dólares o ingresso.
A experiência foi organizada pelo jornal Washington Post para mostrar que somos animais de costumes, que quando o contexto muda nem percebemos o que temos em volta.
Seria bom fazer um esforço para não perdermos a beleza que está na mão, que mora ao lado. Todos os dias. O tempo todo.

Veja o vídeo de Joshua Bell no metrô

Foto de Joshua Bell e o maestro Osmo Vanska, de Jennifer Taylor

sexta-feira, 13 de março de 2009

Dez buscas hilárias que o Google me trouxe


O ator Jerry Lewis... ou será Cherri Luis?


1. Cantor Rick e Marte
(Ou o cantor porto-riquenho que virou dupla sertaneja)

2. Quem sou eu?
(Ou o ataque do internauta existencialista)

3. Eu quero ir pra ver Irene rir
(Ou coitada da Irene que está esperando que o irmão Caetano vá pro exílio de vez)

4. Os seios de Portinari
(Ou a vida secreta do grande pintor brasileiro)

5. Quantos rosto tem nessa foto
(Resultado da pesquisa: Peraí que ainda tô contando)

6. Cherri Luis
(Ou a versão tupiniquim do Professor Aloprado)

7. Frases para mulher traidora
(Resultado da pesquisa: Você quis dizer "corno")

8. Quem inventou Rio de Janeiro?
(Resultado da pesquisa: Foi o pai daquele que está lá em cima de braços abertos)

9. Ursela de Estomago
(Ou a irmã da Ursula do Duodeno)

10. Como Salamão trançava com as mulheres dele grates
(É que ele não tinha dinheiro suficiente para pagar às 700 esposas)


Postagem leve de sexta-feira, para acompanhar o chope.
Quando eu comecei com o blog, não tinha a menor idéia de como funcionava isso. Continuo sendo um leigo, mas na força da dificuldade alguma coisa tive que aprender desse linguajar de SEO, tracking e todas essas palavras em ingrês que esta tecnologia adora.
Primeiro eu descobri que era possível saber de onde vinham os visitantes do meu site. Fiquei intrigado feito criança para conhecer que diabo fazia que alguém desde Taipei ou Sudão acessasse meu blog.
Mas depois descobri que eu ainda poderia saber quais as chaves de busca que traziam às pessoas desde o Google. E na verdade encontrei pesquisas tão inusitadas que um dia resolvi começar a guardar. Porque tem desde os que tratam o Google como se fosse gente até aqueles que procuram ajuda na ferramenta para vingar um amor traído.
Como sempre digo com as outras listas -um pouco mais sérias-, haverá novas entregas.

Foto de Jerry Lewis, reprodução do filme O Professor Aloprado (1963)

segunda-feira, 9 de março de 2009

Smiley: a longa vida do sorriso amarelo


Smiley no cartaz do filme Watchmen


Smileys na capa do disco California Über Alles, da banda
punk Dead Kennedys (1979)


Harvey Ball, criador do Smiley

Por trás de um dos maiores ícones da cultura pop existe uma história, no mínimo, curiosa.
O criador do Smiley foi o designer estadunidense Harvey Ball e a criatura já tem quase meio século. Mas assim como os tempos, o Smiley foi mutando e ganhando diferentes significados.
Em 1963, uma companhia de Massachussets resolveu lançar uma “campanha da amizade” para encourajar os seus funcionários nas relações com o público. Eles encarregaram a logomarca a Ball, um herói da Segunda Guerra Mundial que tinha um pequeno estúdio de design na cidade.
Ball escolheu um papel amarelo e fez um círculo para asociar a imagem ao sol. Nem compasso ele utilizou no original. Depois, fez a linha da boca com o sorriso e depois os olhos. Demorou dez minutos em completar o desenho e recebeu 45 dólares pelo trabalho.
Nem ele nem a empresa patentaram o simples desenho.
Em 1970, os irmãos Murray e Bernard Spain usaram o Smiley clássico para vender suas bugigangas e acrescentaram a frase “Have a nice day” (tenha um bom dia). Dois anos depois, eles já tinham vendido 50 milhões de escudinhos com essa brincadeira. Vale resalvar que os Estados Unidos atravessavam a crise da guerra de Vietnã e as pessoas precisavam de mensagens otimistas. A singela imagem da carinha amarela mostrou a força que a linguagem visual já tinha.
O Smiley começou a aparecer nas bandeiras dos hippies que se opunham à guerra, foi capa da popular revista Mad e virou emblema nacional nos Estados Unidos.
Ja na década de oitenta resurgiu com força nas raves, tanto para identificar o movimento pacífico e amoroso quanto para aparecer nas pílulas de ectasy, por sinal, uma droga de design. Mas antes disso, a banda punk californiana, perseguida pela censura, usou o Smiley num collage que asocia o então governador Jerry Brown a um nazista.
Depois foi parar na ficção do filme Forrest Gump, quando o protagonista cria o ícone acidentalmente.
Nesse tempo, o sorriso amarelo já estava envolvido em uma guerra de direitos. O francês Franklin Lufrani tinha registrado a marca em vários paises europeus e o gigante Wal-Mart pretendeu fazer o próprio nos Estados Unidos, mas perdeu a briga com Lufrani, fundador da Smiley World.
Com a internet e através dos sistemas de mensagens, o emoticon do Smiley ficou mais popular ainda no mundo inteiro.
Agora está no centro da trama do filme Watchmen.
Enquanto isso, Harvey Ball, o criador da criatura, morreu em 2001. Jamais reclamou pela autoria do desenho. Foi louvado e premiado, mas continuou trabalhando no seu estúdio de Massachussets.

Desenho da capa do disco California Über Alles de Bob Last e Bruce Slesinger

sábado, 7 de março de 2009

Mais Uma (saideira)





Por trás da cena de uma foto como as postadas aqui nos últimos dois dias, há produções que envolvem dezenas de pessoas que cuidam da técnica, maquiagem, figurino, em jornadas extenuantes.
Na primeira foto, Jenny Gage aponta pra Uma Thurman, enquanto seu parceiro Tom Betterton aponta pras duas.
Na segunda foto, o grande Marco Grob nos bastidores do ensaio de capa que Uma fez para a edição russa da revista Elle.



O bonus track é o fotograma do filme de 1988 As aventuras do Barão Munchausen. No filme de Terry Gilliam, Uma representa Vênus, segundo a conceição do pintor renacentista Sandro Botticelli na obra O nascimento de Vênus. Foi no ano da estreia da atriz no cinema.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Todos para Uma (Segunda parte)













Completamos a série iniciada ontem com Uma Thurman, segundo o olhar de fotógrafos da pesada. Qual é a sua preferida?

Fotos de Uma Thurman de:

1)
Marco Grob
2)
Annie Leibovitz
3)
Andrew Cooper
4)
Albert Watson
5)
Patrick Demarchelier
6)
Alexi Lubomirski

quinta-feira, 5 de março de 2009

Todos para Uma














A atriz Uma Thurman já esteve sob as lentes das maiores feras da fotografia. Fiz uma seleção que vou colocar em duas postagens. Dificil escolher uma (quer dizer, uma imagem e não Uma que eu escolheria na boa). Melhor admirar todas.

Fotos de Uma Thurman de
1) David Lachapelle
2) Craig Mc Dean
3) Gilles Bensimon
4) Peter Lindbergh
5) Ruven Afanador
6) Thomas Dubois
7) Jenny Gage e Tom Betterton