sexta-feira, 3 de abril de 2009

A beleza desatenta



O artista de rua chegou na estação de metrô de tênis, camiseta preta e boné. Tirou o violino do estojo e começou a tocar. Na correria de cada dia, na estação L'Enfant Plaza, em Washington, milhares de pessoas passaram por ele, como cada um de nós passa todos os dias junto a esses artistas que já fazem parte da paisagem rotineira das grandes cidades.
Um minuto depois de começar, ele ganhou seu primeiro dólar. Foi de Bach a Schubert e de Manuel Ponce a Massenet. Um homem parou uns instantes e continuou com passo apresado. Outros foram deixando seu dindim sem parar.
Até que uma criança parou e olhou fixamente pro músico. Mas a mãe também estava com pressa e começou a puxar do casaco pra ele se mexer. A criança teimou em parar e a mãe voltou a puxar.
O cara tocou uns 45 minutos. Ganhou 32 dólares. Por fim, uma senhora se deteve e começou a ouvir mesmo, como se estivesse curtindo. Quando ele acabou de tocar, a mulher disse:

- Eu vi você na Biblioteca do Congresso.

O cara era Joshua Bell, considerado um dos maiores violinistas do mundo e o instrumento que tinha nas mãos era um Stradivarius de 1713, cotado em tres milhões e meio de dólares. Joshua Bell, que acabara de tocar para essa multidão de pedestres, tocara para o presidente Obama em fevereiro e tocou dois dias depois em Boston para um público que lotou o teatro pagando cem dólares o ingresso.
A experiência foi organizada pelo jornal Washington Post para mostrar que somos animais de costumes, que quando o contexto muda nem percebemos o que temos em volta.
Seria bom fazer um esforço para não perdermos a beleza que está na mão, que mora ao lado. Todos os dias. O tempo todo.

Veja o vídeo de Joshua Bell no metrô

Foto de Joshua Bell e o maestro Osmo Vanska, de Jennifer Taylor

4 comentários:

maria guimarães sampaio disse...

Que bacana esta história.
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Sim, Bernardo está aí.
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Pensei ter lhe dado meu emelho novo, assim como pensei ter o seu.
O meu novo é só substituir terra. com.br por gmail.com
beijos maria

Lafayette Hohagen disse...

Beleza de música, perfeito título do post. Abraços do Lafa

Ana Lúcia disse...

Essa falta de atenção, esse desligamento, é, infelizmente, quase uma constante.
E mudar de atitude é um exercício difícil, do qual precisamos ser sempre relembrados.
Esse teu post caiu como uma luva, Juan. Obrigada.
um beijo

Juan Trasmonte disse...

Muito obrigado Lafa!
Eu te agradeço, Ana! A verdade é que é um exercício muuuuito difícil. Mas temos que tentar, certo?
beijos