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quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Arnaldo Antunes no FILBA




No dia 12 de novembro começa no MALBA o Primer Festival Internacional de Literatura en Buenos Aires, o FILBA. Entre os convidados de honra, o italiano Gianni Vattimo, o chileno Alberto Fuguet e o brasileiro Arnaldo Antunes.
Na sexta-feira 14, Arnaldo faz uma das suas performances poéticas e no sábado 15 tem show dele no Niceto Club. Mas a engrenagem de uma peça só não estará só no palco. Para o show vem um velho parceiro, a fera da guitarra Edgard Scandurra.
Estou contando as horas até lá.

Publicidade do Niceto Club sobre foto de Fernando Laszlo

sexta-feira, 4 de julho de 2008

(Outras) Dez músicas brasileiras que fazem minha vida mais feliz




01. Trem das cores (Caetano Veloso)
Trens têm para mim uma magia única. Estão ligados a momentos felizes e também a um momento trágico da minha infância. Essa música, definida pelo próprio Caetano no Verdade Tropical como pertencente a “fase musical mais feliz” da vida dele, é da época da Outra Banda da Terra, que tinha Tomaz Improta, Vinícius Cantuária, Bolão, Zé Luís e Arnaldo Brandão. Sem nenhuma obviedade de colocar um som de buzinha, a música é uma viagem recheada de imagens sensoriais.

02. Vida de artista (Itamar Assumpção)
Incluída no excelente Preto Brás, é um retrato perfeito do saudoso Itamar, feito só com vozes (dele) e violão (dele). A letra, quase como um canto de cisne é indicadora da posição que o Negro Dito ocupou e sustentou.

03. Politicar (Tom Zé)
A volta por cima de Tom Zé via Luaka Bop/David Byrne deu num disco irretocável como é Com Defeito de Fabricação. Lá o espírito inquieto de Tom se apresenta com a teoria da Estética do plágio. Politicar é definida pelo autor como “um arrastão de Rimsky Korsacov com os músicos da noite de São Paulo”. O desprezo pelo poder em estado puro.

04. Cultura (Arnaldo Antunes)
Do projeto multimídia Nome, que tem um vídeo, poesia, pintura, música e que hoje duvido que a BMG publicasse como publicou em 94. Máquinas de ritmo, teclados programados e a obsessão estética de Arnaldo de redefinir as coisas com poesia. Jóia.

05. Olhos coloridos (Sarará Crioulo) (Macau)
Morando no Rio tive a imensa sorte de conhecer Macau e ouvir ele contando, lá do alto da Rocinha, as histórias da época da Black Rio e a Tropa Maldita. Soul y funk made in Brasil.

06. Estácio, Holy Estácio (Luiz Melodia)
E por falar em Macau, vem um amigão dele, mestre do blues e do funk mas com o DNA do samba no sangue. Conheci por Maria Bethânia e fui catar a versão original. Se Melodia tivesse nascido nos Estados Unidos seria cultuado como o Isaac Hayes. Mas acho que ele ainda prefere ter nascido no Estácio.

07. Que maravilha (Jorge Benjor – Toquinho)
Jorge Ben (jor) disse certa vez numa entrevista num jornal do Rio de Janeiro que ele se orgulha de nunca ter feito uma música triste. Que maravilha é o exemplo. “Toda molhada linda e despenteada, que maravilha, que coisa linda que é o meu amor” Pois é, nem o maior toró atrapalha o encontro amoroso (imagino que com Teresa). Parceria com Toquinho, o que é estranho também porque a maioria das músicas do Benjor não têm parceiros.

08. Sentimental eu fico (Renato Teixeira)
Ja dei minha opinião sobre Renato Teixeira. Isso aqui e existencialismo no bar. Na voz de Elis então é de arrasar. Ideal para “lobos cansados carentes”.

09. Pra você gostar de mim (Vital Farias)
Entre as muitas virtudes de Zeca Baleiro e a turma dos maranhenses, deve-se apontar a valorização do cantador paraibano Vital Farias. “Vou jogar toda esperança numa conta de poupança pra você gostar de mim”. Há uma ótima versão de Rita Ribeiro.

10. Pólvora (Herbert Vianna)
Esse Big Bang dos Paralamas é um disco fodástico. Ganhei da minha amiga Gisele Theodoro numa fita casete que tinha esse de um lado e o Blesq-Blom do outro. Só que era uma daquelas que tinham 30 minutos de cada lado então os discos não entravam por inteiro. Mas essa Pólvora estava lá, com um Herbert afiadíssimo em música e letra numa base ska, o Barone indomável, o Bi segurando a bola e uma seção de ventos nota dez num crescendo maravilhoso. Me deixem fazer justiça citando eles: Mattos Nascimento, Demetrio Bezerra, Monteiro Jr.

Continua a série, gente. De novo, não há ordem de valor. Curtam, procurem as que não conheçam, ouçam. É melhor que Rivotril.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Abraço Tribalista


A cena linda -qual cena poderia ser melhor do que a de um abraço?- foi registrada na gravação do cd e do dvd Arnaldo Antunes Ao Vivo no Estúdio.
Na ocasião o compositor e poeta expõe seus rostos mais conhecidos da carreira musical. O lado Titãs, na versão de Não vou me adaptar, com Nando Reis, e Eu não sou da sua rua, com Branco Mello, que Arnaldo só gravou agora mas que compôs na década de oitenta. O lado solo, com muitas músicas do Qualquer e releituras -trata-se do Arnaldo, botem releitura nisso- de Socorro, Judiaria e O silêncio, entre outras. Aparece por aí o colega Edgard Scandurra para sintetizar essa fase do artista. E o final é Tribalista, com Carlinhos Brown e Marisa Monte -e Dadi que é o quarto Tribalista- entoando Um a um e Velha infância, e que deixa esse abraço da imagem pra perpetuidade.
Ainda tem as raridades da clásica marcha Bandeira branca misturada com O buraco do espelho e Qualquer coisa, que junto com Gente são as músicas mais antúnicas do Caetano.
O dvd é um must, realizado por Tadeu Jungle em rigoroso preto e branco, cheio de contrastes nas luzes e sombras, que tem tudo a ver com o conteúdo.

Foto de Fernando Laszlo

domingo, 11 de maio de 2008

Adriana na maré alta


A idéia que fica depois de assistir outro show de Adriana Calcanhotto é que a artista conserva o espírito livre, ainda fazendo parte do esquema da grande industria fonográfica. Ela parece não precisar de um novo disco, de um novo show, nem de correr pro violão procurando um acorde novo, nem nada que seja novidade, exceto o que a artista que nela está lhe-peça.
Pelo jeito, as gravadoras multinacionais no Brasil estão percebendo isso, depois que a maioria dos monstros sagrados da MPB migraram para a independênçia. Assim é melhor ter um disco da Adriana a cada quatro anos do que não ter Adriana.
O Maré começou sua vida pública ontem em Buenos Aires. A noite no teatro Gran Rex lotado foi outra certidão de que o público argentino é respeitoso, cálido e ruim de acompanhar o ritmo com as palmas. “Estamos muito felizes de estar aqui. Vocês podem pensar que eu sempre digo isso e eu digo mesmo, mas hoje é verdade”. Essa introdução e o agradecimento pelo fato de apresentar uma obra nova e ser “ouvida” foram as únicas lisonjas para o público, que depois do primeiro bis ficou chamando Adriana pro palco por quase dez minutos, mas ela não voltou.
Grandes paineis da cor azul do mar com estratégicos hipocampos e golfinhos deram o tom. O oceano da Adriana tem cor, espanto e gozo; a familiaridade carioca da presênça e certa surpresa de quem um dia foi pra beira do mar e nunca mais quis voltar para Porto Alegre.
Nessas ondas está citado com força explícita ou implícita Dorival Caymmi, está lembrado o saudoso Waly Salomão, mesmo que a menção do seu nome não seja significativa para o público porteño, como será nos muitos shows que virão no Brasil. Está lá também a demorada primeira parceria com Arnaldo Antunes, Para lá, já gravada por ele em Qualquer e que deixou o sabor de quero mais, de que bom seria um disco inteiro só deles dois.
E para se sentir bem na sua praia, Adriana está cercada por músicos pares: Marcelo Continentino, Rafael Rocha, o barba Bruno Medina do (ex?) Los Hermanos e o Domenico + ele mesmo, que já tem torcida própria em Buenos Aires.
De volta ao começo, Adriana não concede, dribla a demagogia de querer agradar o público, faz umas poucas daquelas que tudo mundo pede, alguma raridade como a versão voz e violão do megasucesso do Dúo Dinámico, Resistiré, e fecha o show com a música hermana Deixa o verão.
Tive o para mim privilégio de assistir shows emblemáticos de Adriana Calcanhotto. O primeiro que fez em Buenos Aires -circa 1995- no contexto de um festival e quando ninguém a conhecia por aqui; um outro no Rio que encerrou seu aclamado Público e esse primeiro de Maré são exemplos. A sensação que permanece é que no mundo da eterna novidade sem sentido, Adriana continua sustentando sua posição de artista. Não quer aparecer, não quer agradar; canta desde uma intimidade tocante ou desde um distanciamento notável. Sua concepção de show faz com que um movimento do braço pra jogar no chão a unha da guitarra seja tão relevante quanto o roteiro das músicas e a iluminação. Por isso quando Adriana canta continua sendo mais importante estar do que poder falar eu estive no dia seguinte.

Texto de Juan Trasmonte (Creative Commons)
Foto de Marcela Romanelli

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Perdidos



Quando eu quis você
você não me quis
quando eu fui feliz
você foi ruim
quando foi afim
não soube se dar
eu estava lá
mas você não viu
Tá fazendo frio nesse lugar
onde eu já não caibo mais
onde eu já não caibo mais
onde eu já não caibo mais
onde eu já não caibo em mim

Quando eu quis você
você desprezou
quando se acabou
quis voltar atrás
quando eu fui falar
minha voz falhou
tudo se apagou
você não me viu
Tá fazendo frio nesse lugar
onde eu já não caibo mais
onde eu já não caibo mais
onde eu já não caibo mais
onde eu já não caibo em mim

Mas se eu já me perdi
como vou me perder?
se eu já me perdi
quando perdi você
Mas se eu já te perdi
como vou me perder?
se eu já me perdi
quando perdi você

2 perdidos, de Dadi e Arnaldo Antunes
Foto de Débora Falabella em Dois perdidos numa noite suja, filme de José Joffily baseado na peça de Plínio Marcos

terça-feira, 20 de fevereiro de 2007

Ninguém no carnaval



ninguém no carnaval
ninguém é de ninguém
no meio do mundo
todo mundo é todo mundo

Ninguém no carnaval, de Liminha e Arnaldo Antunes.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2007

Arnaldo



o girino é o peixinho do sapo
o silêncio é o começo do papo
o bigode é a antena do gato
o cavalo é pasto do carrapato

o cabrito é o cordeiro da cabra
o pescoço é a barriga da cobra
o leitão é um porquinho mais novo
a galinha é um pouquinho do ovo

o desejo é o começo do corpo
engordar é a tarefa do porco
a cegonha é a girafa do ganso
o cachorro é um lobo mais manso

o escuro é a metade da zebra
as raízes são as veias da seiva
o camelo é um cavalo sem sede
tartaruga por dentro é parede

o potrinho é o bezerro da égua
a batalha é o começo da trégua
papagaio é um dragão miniatura
bactérias num meio é cultura

Cultura, de Arnaldo Antunes
Foto do arquivo pessoal