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quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Domenico + Pedro




Gente, muito obrigado por todas as suas mensagens, e-mails e pedidos pro blog voltar à ativa. Nesses dias eu explico o silêncio. Hoje só quero dividir a alegria pelo fato de produzir esses shows em Buenos Aires de Domenico Lancellotti e Pedro Sá, duas figuras fundamentais para explicar e entender o que tem de novedoso em música brasileira dos anos noventa pra cá.
Agradeço a todos de novo e espero no Notorious aos que estiverem em terras portenhas. Vale muito a pena.

domingo, 9 de agosto de 2009

Despedida mas nem tanto



O +2 (Moreno Veloso, Kassin e Domenico) encerrou sua fase trio nesse final de semana em Buenos Aires. Assisti na sexta-feira e foi muito emotivo. No dia em que o paizão Caetano fazia anos, quem recebeu o presente foi Moreno, com a presença no show de quem foi a babá dele e um imenso coral de argentinos e brasileiros entoando a versão samba-canção de Deusa do amor, do Olodum.
Continuo achando que Kassin é um dos músicos mais brilhantes que o Brasil pariu nesses últimos anos e Domenico também não tem como negar o DNA do pai Ivor Lancellotti. Esse ritmo à terra, mesmo no rock, é pra quem já mamou muito samba.
Eles vieram com time de amigos-colegas com quem dividem vários projetos: Pedrinho Sá (o cara por tras da nova banda de Caetano), Jorge Continentino e o franco-brazuca Stephane San Juan.
No sábado não deu pra eu assistir por causa do trabalho, mas em troca tivemos o prazer de receber Domenico ao vivo no programa Club Brasil, duas horas antes do show. Foi um gesto de grande generosidade dele.
Agora os caras vão continuar tocando seus vários outros projetos, embora vários desses outros projetos integram os três e essa misteriosa Buenos Aires, a mesma que reuniu pela primeira vez num show completo João Gilberto e Caetano Veloso, tem mais uma página histórica na sua paixão por música brasileira.


Fotos do show do +2 no Niceto Club e Domenico na Blue FM, de Marcela Romanelli

domingo, 11 de maio de 2008

Adriana na maré alta


A idéia que fica depois de assistir outro show de Adriana Calcanhotto é que a artista conserva o espírito livre, ainda fazendo parte do esquema da grande industria fonográfica. Ela parece não precisar de um novo disco, de um novo show, nem de correr pro violão procurando um acorde novo, nem nada que seja novidade, exceto o que a artista que nela está lhe-peça.
Pelo jeito, as gravadoras multinacionais no Brasil estão percebendo isso, depois que a maioria dos monstros sagrados da MPB migraram para a independênçia. Assim é melhor ter um disco da Adriana a cada quatro anos do que não ter Adriana.
O Maré começou sua vida pública ontem em Buenos Aires. A noite no teatro Gran Rex lotado foi outra certidão de que o público argentino é respeitoso, cálido e ruim de acompanhar o ritmo com as palmas. “Estamos muito felizes de estar aqui. Vocês podem pensar que eu sempre digo isso e eu digo mesmo, mas hoje é verdade”. Essa introdução e o agradecimento pelo fato de apresentar uma obra nova e ser “ouvida” foram as únicas lisonjas para o público, que depois do primeiro bis ficou chamando Adriana pro palco por quase dez minutos, mas ela não voltou.
Grandes paineis da cor azul do mar com estratégicos hipocampos e golfinhos deram o tom. O oceano da Adriana tem cor, espanto e gozo; a familiaridade carioca da presênça e certa surpresa de quem um dia foi pra beira do mar e nunca mais quis voltar para Porto Alegre.
Nessas ondas está citado com força explícita ou implícita Dorival Caymmi, está lembrado o saudoso Waly Salomão, mesmo que a menção do seu nome não seja significativa para o público porteño, como será nos muitos shows que virão no Brasil. Está lá também a demorada primeira parceria com Arnaldo Antunes, Para lá, já gravada por ele em Qualquer e que deixou o sabor de quero mais, de que bom seria um disco inteiro só deles dois.
E para se sentir bem na sua praia, Adriana está cercada por músicos pares: Marcelo Continentino, Rafael Rocha, o barba Bruno Medina do (ex?) Los Hermanos e o Domenico + ele mesmo, que já tem torcida própria em Buenos Aires.
De volta ao começo, Adriana não concede, dribla a demagogia de querer agradar o público, faz umas poucas daquelas que tudo mundo pede, alguma raridade como a versão voz e violão do megasucesso do Dúo Dinámico, Resistiré, e fecha o show com a música hermana Deixa o verão.
Tive o para mim privilégio de assistir shows emblemáticos de Adriana Calcanhotto. O primeiro que fez em Buenos Aires -circa 1995- no contexto de um festival e quando ninguém a conhecia por aqui; um outro no Rio que encerrou seu aclamado Público e esse primeiro de Maré são exemplos. A sensação que permanece é que no mundo da eterna novidade sem sentido, Adriana continua sustentando sua posição de artista. Não quer aparecer, não quer agradar; canta desde uma intimidade tocante ou desde um distanciamento notável. Sua concepção de show faz com que um movimento do braço pra jogar no chão a unha da guitarra seja tão relevante quanto o roteiro das músicas e a iluminação. Por isso quando Adriana canta continua sendo mais importante estar do que poder falar eu estive no dia seguinte.

Texto de Juan Trasmonte (Creative Commons)
Foto de Marcela Romanelli

sábado, 26 de abril de 2008

Adriana pelos mares



A uma hora dessas
por onde estará seu pensamento
Terá os pés na terra
ou vento no cabelo?

A uma hora dessas
por onde andará seu pensamento
Dará voltas na Terra
ou no estacionamento?

Onde longe Londres Lisboa
ou na minha cama?

A uma hora dessas
por onde vagará seu pensamento
Terá os pés na areia
em pleno apartamento?

A uma hora dessas
por onde passará seu pensamento
Por dentro da minha saia
ou pelo firmamento?

Onde longe Leme Luanda
ou na minha cama?

Seu pensamento, de Adriana Calcanhotto e Dé Palmeira
Foto de Leonardo Aversa

Longe das "necessidades" do mercado, Adriana Calcanhotto entregou seu novo trabalho, o primeiro de inéditas desde 2002, fora o projeto Partimpim.
Maré é um fruto do mar, do encontro do oceano com a artista, surfa nas ondas de Maritmo, traz de novo, andando sobre as àguas o inesquecível Waly Salomão; tem presênça de Caymmi, claro, de quem ela já havia gravado uma versão formosa de Quem vem pra beira do mar, o time amigo dos +2 e Arto Lindsay.
Esta Seu pensamento é a primeira parceria dela com Dé Palmeira. Prestem atenção para a guitarra de uma nota só de Kassin.
Ainda por cima, o show estreia em maio em Buenos Aires.
Adriana está com disco novo. Graças a Deus.

sábado, 1 de setembro de 2007

É assim como a banda toca


"Orquestra Imperial é como uma pelada: na teoria é uma brincadeira, mas na prática é a coisa mais séria do mundo."
Rodrigo Amarante

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

Kassin é o cara



Quando eu penso em viagens espaciais
e nos amigos deliais
fico tonto sem saber como que vai dar pra entender
o genoma e os neurônios saltitantes
clones humanos e implantes
o futuro até parece uma brincadeira delirante
Mas se você quiser meditar, no futurismo
e tudo o que deixamos passar, sem se importar
parece que perdemos o senso de humanismo
e agora a água pode acabar

"Existem milhões de neurônios em nossos cérebros. Desses milhões de neurônios, uns poucos, só alguns poucos, são neurônios saltitantes. Conseguem captar as características mais novas, dentro do cérebro da mãe e do pai, que serão transmitidas aos seus filhos e filhas."

Quando penso nos amores virtuais
nas maquinhinhas digitais
fico sem saber como fazer pra me convencer
o genoma e os neurônios saltitantes
ficam alegres e falantes
o futuro até parece com uma patada de elefante
e a natureza serve só para combustível
e tudo o que deixamos queimar,
sem se importar
parece que perdemos o senso e o juízo
e agora o mundo vai se esquentar.

Futurismo, de Domenico e Kassin, do álbum homônimo do Kassin+2. O trecho do meio é uma fala que gravou Jorge Mautner. Na foto, Domenico, Kassin e Moreno na Lagoa.