Mostrando postagens com marcador Aldir Blanc. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Aldir Blanc. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Dez grandes parcerias da música brasileira


1. João Bosco-Aldir Blanc
Se bem foram projetados por Elis Regina (o que mais dizer da Elis?) adquiriram vôo próprio, nos versos brilhantes de Aldir, no canto suingado e no violão percussivo de João. Criadores de jóias como Kid Cavaquinho, O mestre-sala dos mares, Gênesis, Comissão de frente, O bêbado e a equilibrista, Tiro de misericórdia e tantas outras, muitas delas compostas ao telefone.

2. Tom Jobim-Vinicius de Moraes
Nem precisam apresentação. Reunidos em 1956 em ocasião da montagem da peça Orfeu da Conceição que protagonizou Haroldo Costa, trabalharam para compor de todas as maneiras possíveis na época: nas mesas dos bares, fazendo primeiro a música e depois a letra e vice-versa, compondo sobre versos, escrevendo sobre trechinhos de melodias, pelo correio. Assim deixaram para o mundo clássicos como Chega de saudade, O amor em paz, A felicidade, Eu sei que vou te amar e tantas outras.

3. Nelson Cavaquinho-Guilherme de Brito
Parceria formada em 1955. Só os versos “Tire o seu sorriso do caminho que eu quero passar com a minha dor” fizeram de Guilherme um dos maiores poetas do samba e popularizaram Nelson, o autor da melodia. Juntos também assinaram Pranto de poeta, Folhas secas e muitas outras.

4. Chico Buarque-Francis Hime
Como o uísque, Chico Buarque é bom sozinho ou com gelo. Das várias parcerias que Chico cultivou ao longo da sua trajetória, escolho a que fez com o compositor, pianista e arranjador Francis Hime. Eles são responsáveis de peças belíssimas como Meu caro amigo, Atrás da porta, Trocando em miúdos e o clássico samba-enredo Vai passar, que virou um hino da resistência na época da ditadura.

5. Moraes Moreira-Galvão
Criadores da maioria dos sucessos de Os Novos Baianos, que eles formavam com Pepeu, Baby Consuelo (depois Baby do Brasil) e Paulinho Boca de Cantor. A banda que passou o rock pela peneira do samba, vivia em comunidade e tinha todo o estilo dos roqueiros mas foi o conterráneo João Gilberto seu inesperado mentor. Entre outras, Moraes e Galvão comporam Acabou chorare, Preta pretinha, Tinindo trincando e Besta é tu.

6. Humberto Teixeira-Luiz Gonzaga
O Gonzagão é uma instituição no Brasil, mas músicas como Asa Branca, Juazeiro (objeto de sucessivos plágios no exterior), Assum preto e Que nem Jiló, entre muitas, vem acompanhadas do grande parceiro Humberto Teixeira, que ainda fez grandes obras sozinho e em outras parcerias. Teixeira e Gonzaga foram a ponta de lança do sucesso do baião e a música nordestina como resposta brasileira ao bolero que vinha de fora.

7. Frejat-Cazuza
Introduzido ao Barão Vermelho por Léo Jaime, além de vocalista, Cazuza virou autor da maioria das letras da banda, muitas em parceria com o guitarrista Frejat. Todo o amor que houver nessa vida, Só as mães são felizes, Ideologia e Pro dia nascer feliz são da safra deles.

8. Roberto Carlos-Erasmo Carlos
Pouco a dizer que não esteja dito. Uma parceria que começou em meados da década de sessenta e deixou mais de um centenar de músicas no imaginário popular. Qual a sua preferida?

9. Noel Rosa-Vadico
Foram ao todo onze músicas em quatro anos, começando por Feitio de oração, estreada em 1933, quando Vadico tinha 22 anos. Conversa de botequim, Pra que mentir e Feitiço da Vila são outros produtos dessa sociedade da Epoca de Ouro. A criação de Noel, como é sabido, foi prolífica mas breve no tempo.

10.Sueli Costa-Tite de Lemos
A grande compositora carioca Sueli Costa encontrou grandes parceiros em Abel Silva, Cacaso, Paulo César Pinheiro e o poeta , dramaturgo e jornalista Tite de Lemos. Com ele fez Todos os lugares, Medo de amar Nº 2 e Conversações com João e Maria, entre outras.

Como sempre, a ordem não indica valor. Aqui estão só dez das tantas e generosas sociedades artísticas da história da música popular brasileira. Não reparem nos links das páginas das letras e os acordes para os compositores. A verdade é que nesses sites de cifras e letras pouca bola dão para colocar a autoria certa.
Fiquem ligados. Continuará.

Foto de Tom Jobim e Vinicius de Moraes de Chico Nélson





quarta-feira, 23 de abril de 2008

Contra a malvadeza desse mundo


Fica ao meu lado, São Jorge Guerreiro
Com tuas armas, teu perfil obstinado
Me guarda em ti, meu Santo Padroeiro
Me leva ao céu em tua montaria
Numa visita a lua cheia
Que é a medalha da Virgem Maria
Do outro lado, São Jorge Guerreiro
Põe tuas armas na medalha enluarada
Te guardo em mim, meu Santo Padroeiro
A quem recorro em horas de agonia
Tenho a medalha da lua cheia
Você casado com a Virgem Maria
O mar e a noite lembram a Bahia
Orgulho e força, marcas do meu guia
Conto contigo contra os perigos
Contra o quebrando de uma paixão
Deus me perdoe essa intimidade: Jorge me guarde no coração
Que a malvadeza desse mundo é grande em extensão
E muita vez tem ar de anjo
E garras de dragão

Medalha de São Jorge, de Aldir Blanc e Moacyr Luz
Hoje é dia de São Jorge. Um filho de Oxossi que nem eu não pode passar em branco

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Sérgio Natureza


Restinga da Marambaia
urubus na Sapucaia
um morcego de Atalaia
Jandaia desarvorou...
é permitida a gandaia
cada um com a sua laia
a manhã fugiu da raia
porque a tarde não tardou
O michê de mini-saia
despachado em plena praia
quando o sol Césardesmaia
no pontal do Arpoador
Vem a noite de tocaia
o céu cor de bala toffee
o bofe comendo um misto dentro
da sauna a vapor
E lá do alto, benquisto
brilha o Cristo Redentor
perdoando os prejuízos causados
pelo calor.
Ah! Rio, quem te inventou?

Caricas III, de Sérgio Natureza. Antonio Saraiva musicou e Marcos Sacramento cantou bonito.

Com seus trocadilhos e suas rimas fluentes esse é um belíssimo retrato do Rio e os seus contrastes, aliás, um dos mais belos desses últimos anos junto com o São Sebastião de Totonho Villeroy, que já foi postado aqui.
Esses poetas garantem a herança do Aldir e do Chico na tradução em poesia do Rio.
Foto do Cristo Redentor de Custódio Coimbra
Foto de Sérgio Natureza de Nilton de Souza Moraes

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Sete de setembro


Jeje minha sede é dos rios
a minha cor é o arco-íris
minha fome é tanta
Planta florirmâ da bandeira
a minha sina é verde-amarela
feito a bananeira...

Nação, de Aldir Blanc e João Bosco (fragmento)
Foto "A prova de balas", de Lula Marques

domingo, 20 de maio de 2007

João do Pulo



Pulou o Brasil do tri
pulou e tremeu de dor
ao ver o pulo do gato cortado
cortada a perna de luz, cortada
a claridade do raio de Xangô

Fechou o Brasil do tri
tristetritrovejou
de dor o povo pulou pra frente
semente o sangue do herói, sente
- Ô, pula João! Ô, Kawô, Xangô!

João como um João qualquer
João de sangue afro-tupi
de príncipe a escravo a preto-fôrro
de operário a novamente herói do morro

Aprendeu a resistir
na favela, a tribo passa fome de cachorro
é um osso duro de roer
mas toda a resistência corre em meu socorro

Valoriza, herói, todo sangue derramado afro-tupi!
Combate, Male! Dá três pulos aí Saci!
Se atira no espaço por nós, Zumbi!
Joga a chibata, João, no mar que te ampliou!
Ah, olha o raio de luz: Kawô, Xangô!
Nosso país infeliz também pulou.

João do Pulo, de Aldir Blanc e João Bosco, dedicado a João Carlos de Oliveira, o João do Pulo e ainda com a fantástica metáfora de Aldir sobre o fim da falsa ilusão dos anos setenta

segunda-feira, 25 de dezembro de 2006

Aldir


Meu coração tropical

está coberto de neve mas

ferve em seu cofre gelado

e à voz vibra e a mão escreve mar

bendita lâmina grave

que fere a parede e traz

as febres loucas e breves

que mancham o silêncio e o cais


roserais

Nova Granada de Espanha

por você eu teu corsário preso

vou partir na geleira azul da solidão

e buscar a mão do mar

me arrastar até o mar

procurar o mar


Mesmo que eu mande em garrafas

mensagens por todo o mar

meu coração tropical partirá esse gelo e irá


com as garrafas de náufrago e as rosas partindo o ar

Nova Granada de Espanha


e as rosas partindo o ar.
Corsário, de Aldir Blanc e João Bosco