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quarta-feira, 25 de junho de 2008

Dez músicas brasileiras que fazem minha vida mais feliz




01. Porque você não vem morar comigo (Chico César)
Arranjo de cordas maravilhoso de Mário Manga para o Quinteto da Paraíba e os versos certeiros de Chico César "dizem que o amor a amizade estraga e esta a este tira-lhe o vigor"

02. Fogueira (Angela Rô Rô)
Notável retrato da espera amorosa, dilacerante na voz da autora

03. Boi de haxixe (Zeca Baleiro)
O nordeste festivo, celebratório em música e letra de Zeca. "Um céu cheio de estrelas feitas com caneta Bic num papel de pão". Uma zecada.

04. Quem vem pra beira do mar (Dorival Caymmi)
Toada de 1954, com essa simplicidade implacável de Caymmi na versão original e que tem uma releitura ótima e auto-referente de Adriana Calcanhotto, gaúcha no exílio carioca que “nunca mais quer voltar”

05. Trocando em miúdos (Chico Buarque – Francis Hime)
Uma das parcerias geniais de Chico com Francis. Essa música faz trinta anos e continua perfeita na encenação do fim do amor: “uma saideira, muita saudade, e a leve impressão de que já vou tarde”

06. Felicidade (Lupicínio Rodrigues)
Uma toada singela de onze versos que mostra a qualidade de compositor de Lupicínio. Thedy Corrêa fez uma versão bacana no seu Loopcinio, co-produzido por ele e Sacha Amback

07. Corcovado (Tom Jobim)
Composta no famoso apartamento da rua Nascimento Silva, 107, só depois de muito tempo fui saber que a imagem do Corcovado que Tom via desde a janela tinha inspirado esses versos “da janela vê-se o Corcovado o Redentor, que lindo". Isso porque quando eu fui ao Rio pela primeira vez fiquei num hotel em Ipanema e tive essa mesma sensação toda vez que chegava na janela, à noite.

08. Marcha da quarta-feira de cinzas (Vinicius de Moraes – Carlos Lyra)
Também relacionada com minha história pessoal com o Rio e aquela primeira viagem, que foi poucos dias apôs a partida do Poetinha. Mas os versos “é preciso cantar e alegrar a cidade” tem a ver com a volta para uma Buenos Aires cinza, na época da ditadura, quando o que imperava nas ruas era o silêncio mesmo.

09. Apelo (Vinicius de Moraes – Baden Powell)
Difícil escolher uma versão dessa música que acompanhou várias das minhas dores de cotovelo adolescentes. Fico com a de Elizeth Cardoso, a de Bethânia, e a de Vinicius-Toquinho com o Soneto da separação no meio, recitado pelo autor. Mais uma da sociedade rica e breve de Vinicius e Baden.

10. Océano (Djavan) Essa já me fez chorar também tanto na versão do Djavan quanto na de Caetano. “Longe de ti tudo parou” e “amar é um deserto e seus temores” são fatais com as roupas dessas harmonias que só Djavan faz.

Começa aqui minha versão das dez mais da música popular brasileira, que como toda seleção pessoal é “caprichosa” e “antojadiza”, ou seja totalmente subjetiva. Esta coletánea será entregue em capítulos porque, lógicamente, são muitas mais de dez.Do resto, o que poderia aparecer como um paradoxo, não é. Uma canção considerada “triste” pode emocionar até o osso. E a qualidade da emoção na música e na palavra cantada é para mim motivo de felicidade. Eis aqui a primeira parte da minha lista impura, pois como disse Torquato Neto "a pureza é um mito".

domingo, 24 de dezembro de 2006

Por que você não vem morar comigo?


por que você não vem morar comigo?
alimentar meu cão, meu ego
cansei de ser assim, colega
não sei mais ser só seu amigo

eu quero agora ser o seu amado
você me deixa a perigo
o amor me corta feito adaga
mas vem você e afaga com afeto tão antigo

você não leva a sério o que eu digo
e enche a taça que me embriaga
me prega em cruz feito Jesus de praga
mas sempre me defende e compra minhas brigas

não ligo
se é amor ou amizade vaga
dizem que o amor a amizade estraga
e esta a este tira-lhe o vigor

não ligo
se é caretice ou romantismo brega
um dia em mim essa aflição sossega
more comigo e traga seu amor

adoro o jeito que você me pega
me chama de meu nego, minha nega
e quando me abraça e eu me entrego
vem você e diz “cuidado com esse apego”
amigos falam que esse mico eu pago
pois mudo logo quando você chega
e acende a luz mas essa luz me cega
e abre em rosa a pedra que no peito trago.

não ligo
se é amor ou amizade vaga
dizem que o amor a amizade estraga
e esta a este tira-lhe o vigor

não ligo
se é caretice ou romantismo brega
um dia em mim essa aflição sossega
more comigo e traga seu amor.

Por que você não vem morar comigo, de Chico César
Foto de Robert Doisneau