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quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Sérgio Natureza


Restinga da Marambaia
urubus na Sapucaia
um morcego de Atalaia
Jandaia desarvorou...
é permitida a gandaia
cada um com a sua laia
a manhã fugiu da raia
porque a tarde não tardou
O michê de mini-saia
despachado em plena praia
quando o sol Césardesmaia
no pontal do Arpoador
Vem a noite de tocaia
o céu cor de bala toffee
o bofe comendo um misto dentro
da sauna a vapor
E lá do alto, benquisto
brilha o Cristo Redentor
perdoando os prejuízos causados
pelo calor.
Ah! Rio, quem te inventou?

Caricas III, de Sérgio Natureza. Antonio Saraiva musicou e Marcos Sacramento cantou bonito.

Com seus trocadilhos e suas rimas fluentes esse é um belíssimo retrato do Rio e os seus contrastes, aliás, um dos mais belos desses últimos anos junto com o São Sebastião de Totonho Villeroy, que já foi postado aqui.
Esses poetas garantem a herança do Aldir e do Chico na tradução em poesia do Rio.
Foto do Cristo Redentor de Custódio Coimbra
Foto de Sérgio Natureza de Nilton de Souza Moraes

sábado, 14 de abril de 2007

São Sebastião


São Sebastião
sua cidade tem as curvas
quais as curvas de um nobre violão
não será razão
de tanta música bonita
ter-se feito em sua mão
Ó, pai Ode, protege as matas
que circundam esse altar
que da maré vazante e cheia
já se ocupa Iemanjá.

São Sebastião do Rio flechado
em seu peito atravessado
pelas setas dos seus filhos
queira Deus que os meninos
achem a trilha nos seus trilhos
inspirados na beleza de seu verde, seu anil
e mereçam a cidade estandarte do Brasil
e que outros mil poetas
venham te cantar meu Rio.

São Sebastião
sua cidade cor-de-rosa
fez da prosa um belo samba de Noel
se eu fosse Gardel
cantaria um tango pelo tanto
dos encantos de Isabel
Ó, meu São Tomé, se alguém duvida
passe os olhos pela Urca e o Sumaré
onde a Imperatriz beijou a flor
porta-bandeira da cidade mais feliz.

São Sebastião do Rio flertado
ribeirão puro e encantado
só no casco dos navios
te naveguem as mais belas
e os mais belos dos bravios
nessas águas que fizeram de Machado
suas letras imortais
entre copas de Salgueiros
e Mangueiras tropicais
e que novas musas venham
em ti pousar seus ais.

São Sebastião, de Totonho Villeroy
Reprodução de "O Rio de Janeiro" (c. 1941), de Cándido Portinari