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quinta-feira, 5 de junho de 2008

Maestro Armando Manzanero


Es que, amaneció muy fría y lluviosa la mañana
es que, anoche no hubo una estrella que brillara
es que, hoy me llegó la cuenta de la luz muy alta
es que, quise hablarte y no había línea en el teléfono
es que, muy temprano vino el tío de la renta
es que, mi automóvil no hubo forma de arrancarlo
es que, hace frío, mucho frío en esta casa
es que, lo que ocurra yo le encuentro siempre un
“es que...”

Es que todo, es que nada,
es que río, cuando lloro
y es que duermo cuando sueño
es bque muero cuando vivo
y es que me haces mucha falta,
igual que ayer.

Es que, de Armando Manzanero

Só os gênios conseguem fazer simples a complexíssima arte de compor cancões. O mexicano Armando Manzanero é um deles. Conhecido no Brasil pelas versões de Yo te recuerdo, gravada por Roberto Carlos, e Me vuelves loco, gravada por Elis, ele é um dos máximos referentes da canção romántica do século vinte. Aliás, ele sustentou as bandeiras do romantismo por décadas, inclusive quando aqueles que colocavam a palavra amor numa letra eram mal vistos.
Então fica aqui uma música do Master Class, sua última obra até hoje, no que já é uma série dedicada a grandes compositores tidos por bregas.

sábado, 19 de abril de 2008

Porque chamamos o rei de rei



Meu primeiro contato com música brasileira foram as canções de Roberto Carlos que ele começou a gravar em espanhol, quando a gravadora descobriu o filão para impor os discos dele na América hispano-falante. Un gato en la oscuridad, Amada amante e tantas outras estão ligadas a momentos insequecíveis da minha pátria, que eu entendo como o território -não físico- da infância. Eu conheci essas músicas porque elas tocavam em tudo o que é lado: nos quartos das empregadas, nos rádios dos motoristas de ônibus, que colocavam os adesivos do rei nos portenhíssimos colectivos, junto com os de Gardel. Mas também no tocadiscos Winco do meu irmão mais velho e nas poucas festas dos amigos dele em que eu consegui entrar de penetra.
Depois comprei o vinil Yo te recuerdo, que começava com aquela música arrasadora que, de quebra, me apresentou o mais puro Armando Manzanero. Nele estavam incluídas músicas tremendas -fica aqui também a homenagem ao parceiro do rei em tantas canções, Erasmo Carlos- em espanhol como Palavras e Atitudes e em português, como O show já terminou. Esse disco iluminou em mim o conceito de canto amigo que Roberto Carlos criou. Porque as músicas dele representam como poucas a tensão da espera amorosa, o gozo da conquista e a dor da perda.
Depois veio o resto. O conhecimento da quase totalidade da obra dele em português, a reivindicação de Maria Bethânia quando ele era considerado o sumo do brega -que até hoje me acompanha quando alguém desde a inteligentsia entorta o nariz se eu dizer que gosto de Roberto Carlos e tudo mais.
Por esses dias, por acaso, quase coincidem em Buenos Aires os shows de Manzanero e Roberto Carlos para despertar em mim aquelas origens. Se bem que é difícil e nem pretendo manter a objetividade quando no imaginário mistura-se a informação das recordações infantis com a arte, é bom de vez em quando lembrar, parafraseando Caetano agora, porque chamamos rei quem chamamos de rei.