
Quando Sinéad canta, fecha os olhos com a cabeça voltada para o chão. As vezes ela os abre e troca breves olhares cúmplices com os músicos e ensaia leves sorrisos, um movimento apenas das comissuras dos lábios que desenha dois buraquinhos nas bochechas dela.
Depois, volta a fechar os olhos e abaixar a cabeça.
Outras vezes, ela encara o auditório e o seu olhar aparece no conjunto de sobrancelhas, cílios, brilho e significantes. Se for uma música como Fire on Babylon ou The last day of our acquaintance, melhor não ser o objeto olhado. Não devem existir muitos seres capazes de sustentarem indenes um olhar desses.
As vezes, ela faz uns passos de dança, pequenos. Tudo é económico nela, menos a voz.
Outras vezes ela usa a palma da mão esquerda em alto para sustentar uma nota, como se quisesse acompanhar o ar ou como se quisesse deter o peso da canção. Porque quando Sinéad canta o que nasce ou renasce é o peso da canção. Ela traz no corpo e no corpo que a voz é, fantasmas ancestrais; chagas próprias e de outros seres; sedes; sedimentos e sentimentos sem tempo, em estado puro.
Quando Sinéad canta a vida é como ela é, no maior esplendor da sua beleza, no maior desalento da sua dor.
Foto de Sinéad O'Connor de Thomas Canet
Depois, volta a fechar os olhos e abaixar a cabeça.
Outras vezes, ela encara o auditório e o seu olhar aparece no conjunto de sobrancelhas, cílios, brilho e significantes. Se for uma música como Fire on Babylon ou The last day of our acquaintance, melhor não ser o objeto olhado. Não devem existir muitos seres capazes de sustentarem indenes um olhar desses.
As vezes, ela faz uns passos de dança, pequenos. Tudo é económico nela, menos a voz.
Outras vezes ela usa a palma da mão esquerda em alto para sustentar uma nota, como se quisesse acompanhar o ar ou como se quisesse deter o peso da canção. Porque quando Sinéad canta o que nasce ou renasce é o peso da canção. Ela traz no corpo e no corpo que a voz é, fantasmas ancestrais; chagas próprias e de outros seres; sedes; sedimentos e sentimentos sem tempo, em estado puro.
Quando Sinéad canta a vida é como ela é, no maior esplendor da sua beleza, no maior desalento da sua dor.
Foto de Sinéad O'Connor de Thomas Canet















