quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Dez músicas brasileiras para cantar nos bares





1. O bêbado e a equilibrista (João Bosco - Aldir Blanc)
Popularizada por Elis Regina, infaltável depois nos shows do João. Uma belíssima metáfora sobre a esperança na época da ditadura.
Melhor verso: A esperança dança na corda bamba de sombrinha

2. Sampa (Caetano Veloso)
Uma música a prova de bairristas. Celebra o estupor do poeta perante a cidade imensa, para quem “vem de outro sonho feliz de cidade”, com referências aos paulistas Rita Lee e os irmãos Augusto e Haroldo de Campos.
Melhor verso: Do povo oprimido nas filas, nas vilas, favelas

3. Maluco beleza (Raul Seixas – Cláudio R. Azevedo)
Toca Raul! Então tá. A música que mais identifica o roqueiro baiano, aliás o maior emblema do rock brasileiro, possui uma melodia imbatível que faz sair cantarolando na primeira audição. Na época em que normalidade era o pior fantasma dos jovens.
Melhor verso: Vou ficar, ficar com certeza maluco beleza

4. As rosas não falam (Cartola)
O maior sucesso de Cartola, popularizado por Beth Carvalho em 1975, quando emplacou a música na novela das oito, no caso Duas Vidas, na Globo. Nascida quando Dona Zica perguntou olhando pras roseiras da casa “Como é possível, tantas rosas assim?” e Cartola respondeu “Não sei, as rosas não falam”. O grande compositor foi gravar no ano seguinte ao sucesso de Beth, num dos fundamentais discos que ele fez pra gravadora Marcus Pereira.
Melhor verso: Simplesmente as rosas exalam o perfume que roubam de ti

5. Carinhoso (Pixinguinha – João de Barro)
Lançada em 1928 com a Orquestra Típica Donga-Pixinguinha, é inimaginável quantas vezes já foi cantada em rodas de violão, inclusive porque com uns poucos acordes simples, os iniciantes no instrumento podem se aventurar pelo universo de Pixinguinha. O grande Braguinha só foi colocar letra nesse samba-choro vinte anos depois.
Melhor verso: Vem sentir o calor dos lábios meus à procura dos teus

6. Nos bailes da vida (Milton Nascimento – Fernando Brant)
Cantores de churrascaria, jóias escondidas nas boates, artistas perdidos em buracos cheios de fumaça, eis sua canção. Música autobiográfica cuja letra Fernando Brant escreveu partindo das inúmeras histórias da noite que Milton contou pra ele.
Melhor verso: Cantar era buscar o caminho que vai dar no sol

7. (Caminhando) Pra não dizer que não falei das flores (Geraldo Vandré)
Outra música simples, de apenas dois acordes que acabou virando um dos principais exemplos de canção política no Brasil. Apresentada em 1968, foi censurada e empurrou Vandré pro exílio no Chile, começando a alimentar a lenda sobre o artista que até hoje continua.
Melhor verso: Quem sabe faz a hora, não espera acontecer

8. Epitáfio (Sérgio Britto)
Uma da última fornada de clássicos de roda de violão. Trouxe um novo sucesso aos Titãs quando já pareciam viver das glórias passadas. Para alavancar a sua popularidade foi incluída na novela Desejos de mulher, mas é lembrada por ter sido lançada no mesmo ano em que o grupo perdeu absurdamente o guitarrista Marcelo Frommer
Melhor verso: O acaso vai me proteger enquanto eu andar distraído

9. Ronda (Paulo Vanzolini)
O grande Vanzolini, um dos créditos paulistas do melhor samba, embora com uma obra pequena fez essa música na década de cinqüenta, embora o sucesso demorou até que Márcia a gravou muitos anos mais tarde e depois ganhou outras versões ótimas como as de Ângela Maria e Maria Bethânia. Traição, bar, bebida, tem tudo a ver com a noite.
Melhor verso: No meio de olhares espio em todos os bares, você não está

10. Asa branca (Luiz Gonzaga – Humberto Teixeira)
Música que identificou a tantos imigrantes nordestinos nas grandes cidades brasileiras. Versos comoventes do doutor Teixeira acrescentados na toada adaptada do folclore. Se foram lá mais de sessenta anos, as secas continuam e Asa branca continua preciosa.
Melhor verso: Quando o verde dos teus óios se espaiá na prantação

Está faltando alguma música? Claro! Dezenas! Mas eu já disse, essas seleções minhas são arbitrárias, sem ordem de valor e sem final, ou seja, poderão ser retomadas a qualquer momento. A casa aceita sugerências. Já, se ao ler, o respeitado leitor não saiu cantando pelo menos uma dessas músicas, o respeitado leitor tem um problema sério.

10 comentários:

Osc@r Luiz disse...

Boas escolhas, desse amigo de extremo bom gosto.
Na próxima edição, inclua mais do "Clube da Esquina", de Minas, de onde saíram Milton Nacimento, Beto Guedes, Paulinho Perda Azul...
Num bar, com amigos e cerveja, cairia como uma luva.
Grande abraço, meu amigo Juan!

Mara* disse...

ronda e com a márcia, não preciso de outra!

maria guimarães sampaio disse...

Boa seleção (só não conheço epitáfio).

Juan Trasmonte disse...

Verdade Osc@ar! Tem outras da época: Travessia, Coração de estudante. Talvez entrem na próxima.

Obrigado a todos pelo carinho.

Carolina Z disse...

Escolhas dignas de quem sabe o que diz... ;)

Tâmara disse...

Nossa!
Ins PIRANTE!

Anônimo disse...

Eu colocaria ainda Andança com gde desafinação etílica(em final de churrasco é sensacional) e tb Qualquer Coisa de Caetano. Claro que nessa hora já estarei dostante do local. rs
Bia Alves.

R. D´Elia disse...

Vou citar o clichê dos karaokês da tchurma de D´Elia no bairro japonês de São Paulo:

1) "Flores", Titãs
2) "Ovelha Negra", Rita Lee
3) "Como Nossos Pais", Belchior
4) "Andança", na versão da Elis
5) "Maracatu Atômico", Jorge Mautner
6) "Malandragem", Cássia Eller
7) "Fé Cega, Faca Amolada", do Milton, versão Doces Bárbaros
8) "Fera Ferida", Roberto Carlos
9) "Carinhoso", Pixinguinha
10) "Saygon", Emilio Santiago (hahahahaahah)

besos!

Renato disse...

Faltou "Volta Por Cima" de Noite Ilustrada, e "Partido Alto" de Chico Buarque!!!

Renato disse...

Faltou "Volta Por Cima", de Noite Ilustrada(Paulo)... E "Partido Alto"