segunda-feira, 19 de maio de 2008

Está um vazio


Patagonia
feriadão
cabeça de mosquito
está vazio
está um vazio
nem folha em branco
nem celulose
é uma folha
que ainda está
no centro da árvore
que está no campo vazio
não há cavalo por perto
nem serra elêtrica
é um vazio
que está na fonte
do nada
nem embalagem
nem envelope
nem vasilhame
nem duvidar
sangue sem voz
corpo sem sangue
está vazio
está um vazio
maior que a esquina
da tua casa
mais alto que adulto
mais fundo que húmus
presso na unha
pauladas
baldes
cursinhos
teorias
pernas
ursinhos
volume
vaga
argamassa
não cobrem
vazio presso na unha.

Está um vazio, de Juan Trasmonte (Creative Commons)
Foto "Calle Corrientes", de Horacio Cóppola (1936)

4 comentários:

Letícia Castro disse...

É, a gente tem uns momentos de vazio na vida que sempre vêm e vão e continuarão a existir. Mas são momentos positivos, vc não acha? São nesses momentos em que, desprovidos de atenção em qualquer outra coisa, conseguimos olhar para dentro de nós mesmos e fazer contato com o que somos.
E como a lei do equilíbrio existe, logo chegam boas novidades que vão preenchendo o vazio de novo.
Más besotes!
Letícia.
http://babelpontocom.blogspot.com/

Letícia Castro disse...

Acabei de escrever um comment aqui, mas acho que não foi, vou escrevê-lo de novo.
Dizia que esses momentos de vazio nos permitem olhar para dentro e fazer contato com a gente mesmo. São fundamentais e, pela lei do equilíbrio, logo se preenchem de boas novidades outra vez.
Beijão de novo!
Letícia.
http://babelpontocom.blogspot.com/

Anônimo disse...

I say yes, and you?

Juan Trasmonte disse...

Valeu Letícia, muito obrigado!
Eu acho que a consciência do vazio é o que nós poupa de maiores dores.
E pretender que podemos encher ele de coisas, o que nós faz sofrer.

Beijos!