segunda-feira, 5 de maio de 2008

Dar até doer



Dar até doer
eu queria
abrir rios de sangue
nas linhas da mão
beijar nas pálpebras
dos olhos cristalizados
pela fome
dar até doer
e continuar
a dar
mas eu não sou tão bom
e o grito da besta nunca para
e a besta nunca dorme

sob meus pés
as brasas de Vulcano
e vejo Atalantas
invictas na corrida
com seus véus ao vento
enlaçando meus joelhos
e caio

de novo
caio.

Dar até doer, de Juan Trasmonte (Creative Commons)
Reprodução da pintura de 1630, A forja de Vulcano (La fragua de Vulcano), de Diego Velázquez, que reproduz a cena em que o deus Apolo comunica ao deus Vulcano -representado por Velázquez como um homem comum- que sua esposa Venus o enganou com Marte.

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