quarta-feira, 11 de junho de 2008

Os ciganos perdem sua maior voz


Com a morte de Saban Bajramovic, no domingo passado aos 72 anos, os servios, a música dos balcãs e o povo cigano todo perdem sua maior voz.
O cantor e compositor nasceu e viveu em Nis (Servia) e teve uma vida de lenda. Foi preso por fugir do exército por um amor, montou uma banda de jazz no cárcere, teve muitas amantes até ficar com aquela que o esperou em casa toda vez que ele foi embora. Teve muitos filhos que estão agora espalhados pelo mundo, do mesmo jeito que as suas músicas, que nunca se preocupou demais por proteger. De fato, várias que o mundo conheceu adaptadas por Goran Bregovic nos filmes de Kusturica, como Djeli Mara, que virou Mesecina no Underground. Bajramovic compôs quase setecentas mas só gravou uns vinte discos ao todo.
Com suas influências do soul, das melodias hispánicas do sul ele criou obras fantásticas do universo roma. Para eles, Saban é a voz que os expressou na alegria e nas tristezas. Na vida, sempre nômade.
Foi enterrado hoje de manhã em sua Nis. Não faltou música.

3 comentários:

Letícia Castro disse...

Rapaz, eu amo a voz do Goran Bregovic! É daquelas que vão direto ao coração. Agora vou procurar para ver qual das canções é do Saban, pois não sei. O meu bisavô espanhol era cigano e essa influência sempre foi marcante em nossas vidas.
Beijo e feliz dia dos namorados! (aqui, claro) ; )
Letícia.

Juan Trasmonte disse...

Letícia, veja bem, quem canta essas músicas todas lindas dos filmes do Kusturica não é o Goran, mas outros cantores. Eu achava ele um gênio até começar a descobrir que muitas dessas músicas, ele tomou de motivos populares ou de outros compositores, como no caso das conhecidas como Mesecina e Bubamara, que são do Saban.
Então, achava o Goran genial, agora estou achando um ótimo arranjador rssss
Beijos, e feliz dia dos namorados (daí)

Mara* disse...

Dia 23, duas crianças ciganas, de 11 e 13 anos, morreram em uma praia perto de Nápoles. Morreram afogadas, duas foram salvas, as outras duas não. Os cadáveres ficaram estendidos na praia e o que causou-me espanto na notícia, já que sou normal, foi saber que os banhistas indiferentes continuaram a se bronzear, a jogar bola e a beliscar os quitutes no quiosque da praia bem próximo dos corpos. Nápoles enfrentou recentemente a crise do lixo, creio que para alguns freqüentadores da praia: tudo é lixo.

Como faço para assinar contra a perseguição aos ciganos na Itália? O banner à respeito na sua página não funciona como link.

um abraço