terça-feira, 17 de junho de 2008

Leonardo Favio, esse poeta da imagem



O retorno do diretor argentino Leonardo Favio é sempre motivo de celebração. Estação obrigada na viagem pelo cinema dos últimos quarenta anos desse país, Favio é, antes de tudo, um poeta da imagem e esse deve ser o ponto de partida para a abordagem da sua obra. E faço questão de colocar o marcador "poeta" nesse post, embora esteja dedicado a um diretor de cinema.
Com uma trajetória irregular na produção, que chegou a ter um hiato de vinte anos entre um filme e outro, o padrão de qualidade é sempre altíssimo.
Desde os filmes iniciais em preto e branco até o flamante Aniceto, o cineasta bebeu sempre das fontes populares. Entenda-se isso como mitos e lendas do coletivo cultural e também fenómenos da sociopolítica argentina.
Ficou distante do neorrealismo, pois seus pobres também podem ser crueis. Mostrou a dor como poucos, mas foi além do retrato, essa dor estava no vazio, na ausência e na espera. Sempre realista mas jamais naturalista.

A estreia de Aniceto é uma retomada do conto El Cenizo, escrito por Zuhair Jury, o irmão dele, que já tinha inspirado El Romance del Aniceto y la Francisca, Está repressentado como um balé sinfônico filmado, com destaques para a música de Iván Wyszogrod e a direção de arte de Andrés Echeveste.
Ninguém consegue sair indene apôs assistir um filme de Leonardo Favio.

Foto de Juan Carlos Villarreal

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