segunda-feira, 25 de dezembro de 2006

Esses círculos nossos


Pobres círculos nossos
fechados
pobres gados sem campo
sem rumo
eu não sei o que dizer
mas eu sei
porque quero e mais quero
mas duvido e silêncio
eu não sei o que fazer
com as mãos
eu as vezes coloco
algum cerco de arame
ao redor
toco fogo no campo
e procuro a saída
ainda
antes de entrar
pobres círculos nossos
maravilhosos
todos cheios de mar
amorosos
eu andei no abismo
de tênis
porque vou até o fim
ou nem parto
esses círculos nossos
esses sambas de roda
labirintos rituais
dimissões e fogueiras
de domingo à segunda
e depois terça-feira
esses jeitos de ser
quiromantes e prezes
hare-krishna naná
tai-chi chuan divã
divismo coração
um vai ter que se abrir
para o outro fechar
porrada inquisição
lençóis conspiração
trans piração
poeira punição
penetras do perdão
círculo de giz
contramão
andamos em círculos
no jardim botánico
tonto vagalume
olho no cardume
desenhamos círculos
na areia da vida
que o mar vai levar
um vai ter que se abrir
para o outro fechar.


Juan Trasmonte (Todos os direitos reservados)
Foto de Brassaï

Um comentário:

Luciane Goldstein disse...

Estrangeiro de sete léguas, fazedor de cículos de fogo. Perdoai as minhas nossas ofensas, assim como talvez te perdoi. e nos deixeis cair em tentação, porque é por isso que se vive.