terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Fotógrafos argentinos


Mulheres presas


As aventuras de Guille e Belinda


A Ausência


Intervalos intermitentes


Amanhã são apresentados no Malba (Museo de Arte Latinoamericano de Buenos Aires) mais quatro livros da Colección Fotógrafos Argentinos.
Sempre acompanhados por textos de reconhecidos escritores, os livros da coleção vêm aos poucos organizando e publicando o trabalho de grandes artistas da fotografia, as vezes escondidos em jornais ou agências de notícias.
Agora é a vez de Adriana Lestido (Mujeres presas); Res (Intervalos intermitentes); Alessandra Sanguinetti (Las aventuras de Guille y Belinda) e Santiago Porter (La ausencia).
Adriana Lestido tem uma trajetória de destaque em trabalhos com mulheres, procurando dar um olhar ao outro. Mulheres presas é uma série realizada nos cárceres de mulheres.
Em Intervalos intermitentes, Res utiliza a imagem como veículo entre o espaço e o tempo.
Alessandra Sanguinetti cria um universo onírico e colorido para As aventuras de Guille e Belinda.
Já Santiago Porter, no livro A Ausência, prefere um rigoroso preto e branco para retratar a perda, focado no atentado de 1995 do prédio da AMIA, em Buenos Aires, que deixou 85 mortes.

Foto de Adriana Lestido, do livro Mujeres presas
Foto de Alessandra Sanguinetti, do livro Las aventuras de Guille y Belinda
Foto de Santiago Porter, do livro La Ausencia
Foto de Res, do livro Intervalos intermitentes

domingo, 7 de dezembro de 2008

Naufrágio de você


Água na Guanabara
arrasa água
tsunami na tua cara
o Aterro alaga
a terra treme
na tua cara
Cara de Cão
afunda
você toda
Bateau Mouche
e as hydras
soltam fogos
nas tuas barcas
tua boca cospe
água salgada
você não mais nada
toda você
naufraga
na Guanabara.

Naufrágio de você, de Juan Trasmonte (Creative Commons)
Foto de Renée Jacobs

sábado, 6 de dezembro de 2008

De novo, o mistério da fé


Em setembro escrevi um texto sobre o sentimento que me produz o mistério da fé dos homens. Alias, quem visita estas páginas com freqüência sabe que as religiões de signos diferentes costumam estar presentes por aqui através das manifestações artísticas das pessoas, sejam na fotografia, na música ou na palavra escrita.
Hoje, tres milhões de muçulmanos chegados do mundo todo estão presentes no Hajj, a peregrinação anual a Meca, na Arábia Saudita.
O quinto pilar do islã diz que todo bom muçulmano deve visitar a Grande Mesquita pelo menos uma vez na vida, dependendo das suas condições de saúde e financeiras.
Os peregrinos chegam a Meca depois do Youm el Tarueya, o dia dedicado à reflexão e o recolhimento. Depois vem a subida ao monte Arafat, onde Maomé pronunciou seu último sermão. Esse encontro final do profeta com os fieis aconteceu há catorze séculos.
O ritual acontece de novo e outra vez a arte, nesse caso uma fotografia, intenta desvendar o mistério. O fotógrafo Jamal Nasrallah, que trabalha para agências internacionais, tem deixado testemunha visual dos fatos mais relevantes e do cotidiano no Oriente Médio da última década.

Foto de Jamal Nasrallah

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Sexta-feira non sancta (XI)



Susan Sarandon, fotografada por Timothy White para seu livro Hollywood Pin Up

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Adanowsky, el ídolo



Ele aprendeu seus primeiros acordes de guitarra com George Harrison. E James Brown lhe ensinou como tem que mexer as cadeiras um autêntico roqueiro. Tem amigos estranhos, como Marilyn Manson. Um dia decidiu soterrar o piano no jardim da casa.
Nasceu no Chile mas mora desde criancinha em Paris, a terra onde tem seu quartel central o pai dele, o excêntrico cineasta e escritor Alejandro Jodorowsky.
Amanhã no Niceto Club, Adanowsky se apresenta pela primeira vez em Buenos Aires, junto com a banda The Gush.
O irónico crooner decadente se faz chamar de El ídolo. Um dos seus maiores sucessos, a musica Estoy mal (Estou mal) é um insólito hino da angústia existencial que diz: "Estou mal, infinitamente mal. E por que? É um mistério fatal".

Foto de Adanowsky de Sonia Sieff

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Cocteau por Fournol



"Le mystère a ses mystères. Les Dieux possèdent leurs dieux. Nous avons les nôtres, ils ont les leurs. C'est ce qui s'appelle l'infini".

O mistério tem seus próprios mistérios. E há deuses sobre deuses. Nós temos os nossos, eles têm os deles. Isso é o que se chama de infinito.

Jean Cocteau

Foto de Jean Cocteau de Luc Fournol

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Borges txt (Segunda parte)



1. Um jornalista liga no desespero para María Kodama, a esposa e assistente do escritor. Por um problema no gravador dele a entrevista que acabara de fazer, sumiu. O jornalista solicita uma nova entrevista, mas Jorge Luis Borges se recusa:
- Não, Maria, deixa pra lá. Não entendo como podem confiar em um aparelho que guarda as vozes da gente.

2. Um jovem poeta vai ao encontro de Borges na rua. Põe nas mãos do escritor o seu primeiro livro. Borges agradece e pergunta:
- Qual é o título do livro?
- "Com a pátria dentro" -responde o jovem-
- Dentro? Mas que desconforto, meu amigo, que desconforto.

3. Sexta-feira à tarde. Borges está na casa dele mantendo uma conversa animada com um executivo da Editora Alianza quando toca a campainha do telefone. Fani, a mulher que trabalhou por mais de quarenta anos na casa do autor, atende o telefone e volta com um nome escrito em um papel. Borges pede pra dizer que liguem pra ele na terça-feira.
- Mas o senhor vai para Europa na segunda.
- É por isso que estou dizendo...

4. Na França, Borges é entrevistado ao vivo na televisão. O jornalista pergunta:
- O senhor é conciente de que é um dos maiores escritores do século?
- É que este tem sido um século medíocre.

Novas anedotas e frases hilárias de Jorge Luis Borges, que adorava brincar com a solenidade dos jornalistas e a genialidade que o tempo todo lhe atribuiam. O marcador do escritor é o link para a primeira parte da série e outras postagens e fotos do autor de O Aleph.

Foto de Jorge Luis Borges com María Kodama do acervo pessoal de María Kodama

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Acqua alta




Veneza hoje está debaixo d'água. O fenômeno da acqua alta não é novo na cidade mas hoje a entrada da maré atingiu o maior nível em 22 anos. A cidade está com 1,56 metro e o código vermelho diz que é melhor ficar quieto, pois o ponto mais alto é esperado amanhã.
A pior inundação foi em 4 de novembro de 1966. Nesse link estão as imagens de um jornal da época.
Há sempre em mim uma contradição e depois um vestígio de culpa herdado da nossa civilização judeu-cristã. Ao mesmo tempo que sinto dor pelas pessoas que estão vivendo momentos ruins por causa da invasão d'água, encontro beleza nas imagens.
Essas duas fotos representam a minha contradição. Por um lado, a mulher atravessando sozinha a Praça São Marcos alagada, e do outro, os gondolieri bebendo e fazendo vida contemplativa.

Foto dos gondolieri de Manuel Silvestri (Reuters)
Foto da Piazza San Marco de Luigi Costantini (AP)