sábado, 22 de março de 2008

Os sonhos de Stevenson


Em certa ocasião estava com muita necessidade de dinheiro e decidi que tinha que fazer alguma coisa. Dei voltas e mais voltas tentando achar um assunto sobre o que escrever. No meio da noite, a história se apresentou em forma de sonho. Não exatamente como a escrevi com posterioridade, já que nos sonhos sempre aparecem coisas estúpidas mas, a todos os efeitos, aquilo veio a mim como um presente. E o mais curioso de tudo é que tenho por costume sonhar histórias.
(...) As vezes me vêm em forma de pesadelos que chegam inclusive a me fazer gritar, mas nunca tenho me deixado enganar por elas. Ainda que esteja profundamente dormido sei que sou eu que está inventando-as, e se eu gritar é pela gratificação que me produz saber que uma história é boa. Assim que eu acordar -e sempre o faço quando estou atrás de alguma coisa que vale a pena- começo a trabalhar na estrutura.
Por exemplo, tudo que sonhei a respeito do Dr. Jekyll foi que alguém tentava introduzir pela força um homem num armário. Então este bebia uma droga e virava um ser diferente.

Robert Louis Stevenson contou a origem de O médico e o monstro (The strange case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde) em entrevista ao jornal The New York Herald, em setembro de 1887.


Foto de Robert Louis Stevenson de Lloyd Osborne
Reprodução do cartaz da versão cinematográfica de 1920, de John S. Robertson, protagonizada por John Barrymore, que está na outra foto.

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