
O filme The Wrestler (O lutador, na tradução literal, só Deus sabe qual será o título em português), de
Darren Aronofsky, acaba de ganhar o cobiçado Leão de Ouro no Festival de Veneza. Protagonizada por Mickey Rourke, conta a história de um lutador de luta livre que resiste o passo do tempo e o esquecimento.
Os críticos assistentes coincidem em salvar o filme estadounidense do tédio geral que invadiu à mostra, caraterizada sempre pela qualidade do cinema ali apresentado. Este ano, quase não houve filmes da América Latina.
O diretor de
Requiem for a dream e Pi, as duas identificadas pelas suas audácias narrativas, abraçou o classicismo para contar uma história de perdedores que bem pode trazer paralelismos entre o personagem de
Rourke e a sua própria vida. Sem um sucesso de bilheteria desde Orquídea selvagem (1990), o outrora moço que fazia suspirar as mocinhas, já foi um fracassado lutador de boxe, sofreu excessos químicos vários e virou uma sombra de si mesmo.
Como o cinema adora histórias de
losers, esse Rourke caricato daquele, agora lhe oferece a possibilidade de dar a volta por cima. E pelo que parece, todos vamos nos-sentir um pouco redimidos com ele.
Foto de Mickey Rourke da agência AP