sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Sexta-feira non sancta (VIII)



Reprodução de ilustração de Art Frahm

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

O ritual de São Caetano






Como todos os dias 7 de agosto, milhares de pessoas em Buenos Aires pedem para São Caetano por um futuro melhor.
A primeira foto é de Miguel Midonno, a segunda foto foi feita por Aníbal Greco

Ciganos são os mais segregados da Europa



Hoje em Madri, uma passeata convocou ciganos da Espanha inteira em protesto contra a onda de racismo que atravessa a Europa.
Na foto da Agência EFE, uma jovem segura um estandarte com a lenda "Payos o gitanos, convivencia abierta!"
Payos é o vocábulo com que os ciganos denominam os não ciganos.
Segundo estudo, os ciganos são atualmente a minoria mais segregada na Europa.
Quem quiser assinar contra a caça de bruxas na Itália, pode fazé-lo clicando no banner que está na coluna da direita desse blog.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Warhol - 80 anos




Só podia ser leão no zodíaco. Hoje faria 80 anos Andy Warhol, no ano em que fazem vinte que ele morreu.
As duas imagens pertencem ao fotógrafo Christopher Makos, que foi discípulo primeiro de Man Ray e depois do máximo ícone da arte pop. Como Makos também foi um acólito de Warhol, ele fez centenares de fotos que hoje rodam o mundo. No encontro com essa outra celebridade de Salvador Dalí (haja espaço para tanto ego!) Makos registrou esse beijo, certamente mais profano que aquele que ocupa a postagem de ontem. O mais engraçado foi que Makos passou o almoço inteiro tentando conversar com Gala, a amada musa de Dalí, até que ela virou pra ele e disse: "Não me interessa nada do que você diga".
Warhol é uma figura fundamental para entender a cultura pop, mas vamos convir que a arte da humanidade não começou com ele, como alguns moderninhos pretendem.

Fotos de Andy Warhol e Andy Warhol e Salvador Dalí, de Christopher Makos

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Um Pulitzer, duas fotos





Como muitos estadounidenses naqueles tempos, Rocco Morabito foi criado na sua cidade natal, foi lutar à Segunda Guerra Mundial, voltou e deu a volta por cima. Ele era fotógrafo do hoje desaparecido Jacksonville Journal, daqueles que fazem fotos do que pintar, de jogo de basquete até casamento. Um dia ele ia dirigindo seu carro para tirar umas fotografias dos trabalhadores das ferrovias quando passou por um poste de alta-tensão onde um operário acabara de tomar um choque. Parou o carro, chamou uma ambulância pelo rádio, colocou um filme na sua câmera e desceu. Nesse momento, um outro operário, alertado pelo barulho, subiu no poste e improvisou o trabalho de reanimação do colega que estava pendurado.
Quando voltou pra redação, Rocco disse "acho que tenho uma foto muito bonita", mas o editor lhe respondeu que o exemplar do dia seguinte já estava fechado. Às pressas ele mesmo revelou o filme e mostrou a foto pro editor que, por sua vez, levou a peça para o editor de fotografia. Depois de olhar por um instante, este disse "muito boa. Vamos chamar de O beijo da vida", e vamos colocar na capa.
Assim foi feito e tudo mundo foi embora sem muitas expectativas, na rotina do jornal.
A outra foto, batizada de Flower Power foi tirada por Bernard “Bernie” Boston num protesto contra a guerra do Vietnã. Boston foi definido pelos seus colegas como um gentleman que levava sempre suas botas texanas e sua Leica. Foi chefe de fotografia em Washington no Los Angeles Times e no The Washington Star e fez imagens célebres de vários presidentes.
Em 1994 ele foi morar na montanha e editou, junto com a esposa Peggy, um pequeno jornal.
Flower Power, que mostra um manifestante colocando flores nos canos dos fuzis dos soldados, foi tirada em 1967 mas publicada só um ano depois. A foto de Rocco Morabito, publicada sem alardes, foi reproduzida nos dias seguintes nos principais jornais dos Estados Unidos. Um dia o fotógrafo chegou ao trabalho e a redação estava na maior festa. A sua foto acabara de ganhar o Prêmio Pulitzer, vencendo Flower Power, a outra finalista.
Exatamente quarenta anos depois, Rocco têm 87 e sua imagem ganhou até um documentário. Bernie Boston morreu em janeiro desse ano com todas as honras, mas sem o cobiçado prêmio.




Primeira foto: The kiss of life (O beijo da Vida), de Rocco Morabito
Segunda foto: Flower Power, de Bernie Boston
Terceira e quarta fotos: Os criadores e as criaturas

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Música brasileira para festas




1.Chocalho Mix (Clara Nunes – DJ Zé Pedro)
Loops de percussão e beats em cima de Clara Nunes cantando Morena de Angola, do Chico Buarque. Não dá pra ficar quieto. Do Música para dançar de DJ Zé Pedro

2. Water my girl (Carlinhos Brown)
Um coro irresistível com fraseio em português misturado com inglês, do notável disco de Brown, sub-valorizado pela crítica, Omelete Man. Faixa produzida por Brown e o saudoso Tom Capone, com arranjos de cordas de Greg Cohen

3. Mamãe Oxum (Zeca Baleiro)
Pra dançar amarradinho ao som das programações e os atabaques do Ramiro Musotto. Adaptada do folclore nordestino por Zeca. Provada e certificada. Coloquei numa festa de aniversário e minha querida amiga Leila veio me dizer: “você conseguiu tirar pra dançar meus pais depois de muitos anos”

4. Maracatu Atômico (Chico Science e Nação Zumbi)
Nem preciso apresentar, certo? Versão para a música de Jorge Mautner e Nelson Jacobina, popularizada por Gil e resignificada por Chico Science e Nação Zumbi. Gravada no Estúdio Mosh, em Sampa, onde tanta coisa boa se registrou

5. Antropófagos (Suba)
A música que juntou Suba e Siba, que não é dupla cómica mas um encontro do barulhinho bom, com a base eletrônica, a rabeca contornando e o resto da galera do Mestre Ambrosio batendo um bolão. Do São Paulo Confessions, o legado do Suba, que perdemos muito cedo.

6. Pena de vida (Pedro Luís e A Parede)
Do excelente Astronauta Tupy, co-produzido por PLAP e -de novo- o Tom Capone. Uma parede de batucada.

7. Malandragem, dá um tempo (Bezerra da Silva)
Outra que não tem erro. De Popular P., Adelzonilton -responsável de muitos sucessos do Bezerrão- e Moacyr Bombeiro. Com o crédito pra autoria não resta muito a dizer, aliás porque eu já disse: mané é mané e malandro e malandro. “Aí meu irmão, cuidado pra não dar mole...”

8. Camarão que dorme a onda leva (medley São José de Madureira e Dor de amor) (Zeca Pagodinho)
Com canja de Beth Carvalho, parceria de Zeca com, na ordem, Beto sem Braço, Arlindo Cruz; Beto, de novo; e Arlindo e Acyr Marques. Bota pra dançar até os mortos

9. Falsas Juras (Velha Guarda da Portela)
Parceria de Casquinha e Candeia de 1954, com o próprio Casquinha com sua voz grave segurando o samba, Paulão 7 Cordas, que sempre é um luxo, e o coro das pastoras pra todo mundo cantar

10. A carne (Elza Soares)
Para sintetizar essa festa onde o samba convive com os scratches, fechamos essa entrega com a Elza no rap de Marcelo Yuka, Seu Jorge e Wilson Cappellette. Ainda tem Suzano na percussão. Sociedade artística de Alê Siqueira com Zé Miguel Wiznik que deu nesse ótimo Do coccix até o pescoço

Então, vocês não pensaram que no quesito “música para festas” eu ia colocar Levantou poeira, certo? Com todo o respeito para a maioria das músicas classificadas como músicas para festa, fiz uma seleção de canções que é difícil de ouvir nas reuniões e aniversários. Já passei todas essas músicas em festas quando eu morava no Rio e deu certíssimo. Experimentem.

Foto de Elza Soares de Jorge Bispo

sábado, 2 de agosto de 2008

O sangue de Pérez Celis









- O que um quadro tem que ter?
- Sangue.

Hoje morreu o grande artista plástico argentino Pérez Celis. Embora ele detestava quem usa cartão de visita com a palavra artista, ele foi um. Dos maiores que a arte latinoamericana deu na segunda metade do século vinte.

Primeira foto: reprodução da serigrafia La música
Segunda foto: O artista em 1966
Terceira foto: O prédio de escritórios Central Park, em Buenos Aires, concebido por ele e onde tinha o seu estúdio
Quarta foto: Pérez Celis dedicou em 2005 uma mostra ao centenário do Boca Juniors, seu time de coração. No Museo de la Pasión Boquense ficam os murais que ele pintou.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Felipiana



Das flagrantes sombras
qual unha encardida
farrapos de sangue
pássaro ferido
que oh, vento tombares
cazuza de vespa
surges da crueldade
vê-se aparecer
o nariz ardido
de Luiz Scolari.

Felipiana, de Juan Trasmonte (Creative Commons)
Foto de Carmona

Uma brincadeira que escrevi há uns dois anos, uma ode culta ao nariz do Felipão. A foto de Carmona para o jornal O Jogo caiu justa, parece que os versos tivessem sido escritos em cima dela.