terça-feira, 31 de julho de 2007

Percutas


Ramiro Musotto com Suzano, Kainã do Jeje e outros percussionistas no encerramento do PAN. Aliás, o Musotto recriou com seus sons e até o sampler do Subcomandante Marcos o canto Gwyra Mi em seu Civilizacao & Barbarye.
Essas fotos foram enviadas pelo coração generoso e sempre antenado da Aline Fidalgo e pelo próprio berimba.

Gwyra Mi


Meninos e meninas guaranis cantam Gwyra Mi no encerramento do PAN

D2 em Buenos Aires



Amanhã tem show do Marcelo D2 em Buenos Aires.
Santificada seja a procura da batida perfeita que o trouxe até aqui

domingo, 29 de julho de 2007

A rua do buraco na meia


Yo conozco una calle que hay en cualquier ciudad
y la mujer que amo con una boina azul.
Yo conozco la música de un barracón de feria
barquitos en botellas y humo en el horizonte.

Yo conozco una calle que hay en cualquier ciudad,
ni los labios sesgados sobre un viejo cantar
ni el afiche apagado del grotesco armazón
telaraña del mundo para mi corazón.

Ni las luces que siempre se van con otros hombres
de rodillas desnudas y de brazos tendidos.
Tenía unos pocos sueños iguales a los sueños
que acarician de noche a los niños dormidos.

Tenía el resplandor de una felicidad
y veía mi rostro fijado en las vidrieras
y en un lugar del mundo era el hombre feliz.

¿Conoce usted paisajes pintados en los vidrios?
¿Y muñecos de trapo con alegres bonetes?
¿Y soldaditos juntos marchando en la mañana
y carros de verdura con colores alegres?

Yo conozco una calle de una ciudad cualquiera
y mi alma tan lejana y tan cerca de mí
y riendo de la muerte y de la suerte
y feliz como una rama de viento en primavera.

El ciego está cantando. Te digo: ¡Amo la guerra!

Esto es simple, querida, como el globo de luz
del hotel en que vives. Yo subo la escalera
y la música viene a mi lado, la música.
Los dos somos gitanos de una troupe vagabunda,
alegres en lo alto de una calle cualquiera.

Alegres las campanas con una nueva voz.
Tú crees todavía en la revolución
y por el agujero que coses en tu media
sale el sol y se llena todo el cuarto de luz.

Yo conozco una calle que hay en cualquier ciudad,
una calle que nadie conoce ni transita.
Sólo yo voy por ella con mi dolor desnudo,
sólo con el recuerdo de una mujer querida.

Está en un puerto. ¿Un puerto?
Yo he conocido un puerto.
Decir, yo he conocido, es decir:
Algo ha muerto.

La calle del agujero en la media, de Raúl Gonzalez Tuñón
Poeta que convivia com malandros, putas e artistas do circo, que dividia mesa nos cafés de Madri e Paris com García Lorca e Neruda, que era filiado ao partido comunista quando isso era muito perigoso, que gostava, como Bacon, de contemplar o mundo

sábado, 28 de julho de 2007

Eddie Olmos



Conhecido por seu trabalho de ator em filmes como Blade Runner e seriados como Miami Vice ou Battlestar Galactica, Edward James Olmos é principalmente o que nos Estados Unidos chamam de activist e nós chamamos de militante.
Descendente de mexicanos, ele é um dos rostos mais visíveis da luta pela integração dos latinos nos Estados Unidos e também pela conservação da tradição cultural de cada povo. Com a mesma roupa vai dar uma palestra sobre motivação para empresários ou língua espanhola. E se tiver que ir pra rua numa passeata, também vai.
Foto de Monty Marion

Os latinitos



First Communion Day, de Antonio Pérez
A foto que mostra crianças latinas em Chicago, conservando a tradição da primeira comunhão, faz parte do projeto multimídia Latino Life in the United States, criado por Edward James Olmos, que inclui uma exposição fotográfica, um filme e um livro

sexta-feira, 27 de julho de 2007

Nóis viemos aqui pra quê?


Silêncio, charóp,
afinal de contas finarmente,
nóis viemos aqui pra beber ou pra conversá?

Não me amole rapaz
não me amole
não me amole
Deixa de conversa mole
agora não é hora de falá.
Nóis viemos aqui
prá beber ou prá conversá?

Quem gosta de discurso
é orador (é isso aí bixo)
Quem gosta de conversa
é camelô (falou psiu!)
Agora não é hora de falá!
(o home tá pagando, vamo aproveitá)
Nóis viemos aqui
prá beber ou prá conversá?

(O que eu combinei foi o seguinte:
nóis viemos aqui pra beber e não conversá)

Nóis viemos aqui pra quê?, de Adoniran Barbosa

quinta-feira, 26 de julho de 2007

Fado


Por onde entra um raio
em fortaleza fechada
porqué um olhar faz
tremer as certezas
que raro feitiço traz
um olhar
quando encontra
outro olhar
de que material são feitas
nossas palavras
as ditas
as caladas
turbilhão na orelha
entram pelo buraco e
ficam
se eu não tinha campo aberto
pra receber esse silêncio
nem seus olhos
nem suas lágrimas
nem os meus
nem as minhas

piedade pra conter a emoção
coragem pra soltar a emoção
e não mais querer saber
justos e pecadores
certos, inconvenientes
gregos e troianos
mal falados
meus irmãos

não mais querer saber
pra acalmar com nome
o que não tem nome
nem calma.

Fado, de Juan Trasmonte (Todos os direitos reservados)
Foto de Steven Meisel