segunda-feira, 15 de janeiro de 2007

Instruções para teu suicídio




Bota catchup na banheira
enche ela da substância
tire a roupa devagar
peça por peça
não peça perdão nem clemência peça
talvez seja cênico acender uma vela
esqueça a tentação devassadora
entre no óvalo lentamente
com ar catatônico e movimento elegante
desenhe com batom e traço firme
duas marquinhas vermelhas
nos pulsos.

Faça você mesma
ligue já!

Pode se-matar
mas só um pouquinho.


Juan Trasmonte (Todos os direitos reservados)

domingo, 14 de janeiro de 2007

Deus, quero o velho Cash de volta!!




I was a highwayman. Along the coach roads I did ride
With sword and pistol by my side
Many a young maid lost her baubles to my trade
Many a soldier shed his lifeblood on my blade
The bastards hung me in the spring of twenty-five
But I am still alive.

I was a sailor. I was born upon the tide
And with the sea I did abide.
I sailed a schooner round the Horn to Mexico
I went aloft and furled the mainsail in a blow
And when the yards broke off they said that I got killed
But I am living still.

I was a dam builder across the river deep and wide
Where steel and water did collide
A place called Boulder on the wild Colorado
I slipped and fell into the wet concrete below
They buried me in that great tomb that knows no sound
But I am still around..I'll always be around..and around and around and
around and around

I fly a starship across the Universe divide
And when I reach the other side
I'll find a place to rest my spirit if I can
Perhaps I may become a highwayman again
Or I may simply be a single drop of rain
But I will remain
And I'll be back again, and again and again and again and again...





Highwayman, de Johnny Cash.
Deus, o acordo era assim, você levava o Pinochet e trazia o Johnny Cash de volta. Já levou o Pinochet e entregou pro capeta, agora devolva o Johnny Cash pelamordevocê!

sábado, 13 de janeiro de 2007

A Amazônia é groove


Se beat quero bombar, se deleite,
Beat iú, beat iú!

Ondas do mar, pitiú de peixe
Impregna o toque do verequete.

Dance with me, mama,
Dance with me, mama,
Dance with me,
No toque do trio manari.

Dance with me, mama,
Dance with me,
Dj de londres,
Do sul maravilha,
That's a chance
Com tempero daqui!

Ondas de amor, trelelê de jambu
Tenho certeza que eleva tu..!

Se liga no tremor da língua,
Se liga no tremor da língua,
Não migra, meu pai, não migra,
Se liga no tremor da língua!!!

Beat iú, de Marco André. É um som que desce do Pará, desce e merece encher o Brasil com seu carimbó plugado, bangué eletrobras, brega'n'bass, lundu pai de todos os sambas, beat iú, pitiú, beat you.
Procurem conhecer a arte de Marco André. Porque a Amazônia é groove.

Eu as vezes de mim me canso um pouco


Eu as vezes
de mim me canso um pouco
de ver passar as horas em quietude
daquela marmelada de incertezas
de objetivar o caos subjuntivo
de procurar um oráculo no meu umbigo
as vezes eu
de mim me canso um pouco.


Juan Trasmonte (Todos os direitos reservados)
Foto de Autumm Sonnichsen

sexta-feira, 12 de janeiro de 2007

O mundo que foi (II)



Buenos Aires. A Corrientes, circa 1936
Foto do mestre Horacio Cóppola

quinta-feira, 11 de janeiro de 2007

Lhasa




Desde que no hay maldad,
Que no hay ni hambre,
Ni miedo, ni soledad,
No hay nadie que me ame
En toda esa ciudad...

Desde que no hay dolor,
No hay nadie que sufra
Por un amor,
Nadie más que yo.
No, no quiero olvidar...

¡ Ay ! Ya no se canta
Como se cantaba ayer.
Ahora dicen : "Ven, tomamos un café
Besamos en Français".
No, ya no se canta:
"Sin tu amor me moriré".
No se grita ya:
"No aguanto ese sufrir...
Quiero vivir...". Linda canción.

Desde que no hay maldad,
Todo el mundo se ríe
De mi ansiedad.
Yo lo llamo "poesía",
Le dicen "Vanidad"...

Desde que no hay traición,
Mi vida se desnuda
Ya sin pasión,
Y no sé para qué
Sirve mi corazón...

¡ Ay ! Ya no se canta
Como se cantaba ayer.
Ahora dicen : "Ven, tomamos un café
Besamos en Français".
No, ya no se canta:
"Sin tu amor me moriré"
No se grita ya:
"No aguanto ese sufrir...
Quiero vivir..." - Linda canción.

¡ Ay ! Ya no se canta
Como se cantaba ayer.
Ahora dicen : "Ven, tomamos un café
Besamos en Français".
No, ya no se canta:
"Sin tu amor me moriré"
No se grita ya
"No aguanto ese reir...
Quiero sufrir..." - Linda canción.



Mi vanidad, de Lhasa. Todos os homens e mulheres do Bem merecem ouvir Lhasa, pelo menos uma vez na vida.

Foto de Oliver Gutfleisch

quarta-feira, 10 de janeiro de 2007

Pão de Açúcar





Não havia Avenida Central
não havia cameló nem Unibanco
já havia Pão de Açúcar

Não havia Paço Imperial
Não havia metrô nem Gloria de tamanco
já havia Pão de Açúcar

Não havia Garotinho
nem Belmonte, tua cara
não havia Fino da Bossa
nem putas em Copacabana
porque não havia Copacabana
Não havia AI-5, os Cem mil
as curvas de Niemeyer
cantoras do rádio
cheiro de bronzeador
gays suiços no Arpoador
tuas pernas, Vitamina
São Conrado Fashion Mall
nem as marchas do Braguinha
nem os dribles do Garrincha
nem Kelly Key turbinada
nem Luma fotografada
sem calcinha
Não havia teu sorriso
nem o Cristo Mendigo
não havia picolé nem Macalé
não havia Henfil
nem sonhava Aldir
com a volta do irmão do Henfil
porque não havia Brasil

Já havia Pão de Açúcar.



Juan Trasmonte (Todos os direitos reservados)
Foto antiga de Marc Ferrez

terça-feira, 9 de janeiro de 2007

Waly Salomão




Minha boca saliva porque eu tenho fome
E essa fome é uma gula voraz que me traz cativa
Atrás do genuíno grão da alegria
que destrói o tédio e restaura o sol
No coração do meu corpo um porto jóia existe
dentro dele um talismã sem par
que anula o mesquinho o feio e o triste
mas que nunca resiste a quem bem o souber burilar
Sim, quem dentre todos vocês minha sorte quer comigo gozar?
Minha sede não é qualquer copo d'água que mata
essa sede é uma sede que é sede do próprio mar
essa sede é uma sede que só se desata
se minha língua passeia sobre a pele bruta da areia
sonho colher a flor da maré cheia vasta
eu mergulho e não é ilusão, não , não é ilusão
pois da flor de coral trago no colo a marca
quando volto triunfante com a fronte coarada de sargaço e sal
Sim, quem dentre todos vocês minha sorte quer comigo gozar?
Sim, quem dentre todos vocês minha sorte quer comigo gozar?


Talismã, de Waly Salomão, aquele que dizia "Eu faço versos como quem talha, a facão"

Foto de Xandô Pereira